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Archive for julho \13\UTC 2009

John Lee Hooker – One Bourbon, One Scotch, One Beer

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A humanidade bebe vinho há aproximadamente 4.000 anos mas nunca teve a chance de usar recipientes tão perfeitamente adequados para desfrutá-lo como hoje. Crânios e chifres de animais, peças de madeira, pedra, couro, cerâmica, ouro e prata são alguns dos materiais que fazem parte da história do design dos copos e taças. Nem o mais poderoso dos reis teve uma taça tão boa quanto as que nós, pobres mortais do início do século XXI, temos ao nosso alcance.
O vidro e sua mais pura manifestação, o cristal, fixaram-se como materiais ideais durante o século XX. Nos anos 50, Claus Josef Riedel, baseado em observações científicas que associaram o copo à percepção da bebida, criou a taça revolucionária, em forma de um ovo meio alongado e cortado no topo. De boca mais estreita e paredes arredondadas, ela criava uma espécie de câmara onde os aromas do vinho pairavam. A taça padrão para degustação segue esse caminho.
O modo como o vinho jorra do copo e se espalha na boca define a sensação que a bebida causa. E a primeira impressão geralmente predomina. A capacidade do recipiente, a curvatura do bojo, o ângulo da borda e o tamanho da boca definem como o vinho vai alcançar as papilas gustativas. A criação de cada copo é feita a partir do mapa da distribuição destes sensores na língua: o doce na ponta, o salgado perto dela, o azedo nas laterais e o amargo próximo à base. O centro da língua quase não reconhece sabores, mas é ali que se recebem os estímulos táteis e onde se percebem temperatura, viscosidade e teor alcoólico. As taças são desenhadas para levar o líquido à boca de modo a, por exemplo, reduzir algum desequilíbrio ou tendência, seja azeda ou amarga. No caso dos vinhos cuja atração é a doçura, a taça vem desenhada para que o líquido atinja primeiro a ponta da língua.
Hoje, muitos fabricantes, incluindo os brasileiros, seguem os passos de Riedel e desenvolvem taças para cada tipo de vinho e de bebida em geral. A oferta é gigantesca mas a realidade é que umas poucas regras podem nos ajudar a montar uma coleção de taças adequada ao nosso gosto e ao nosso bolso:
1: As taças devem ser translúcidas e incolores, sem conter desenhos ou detalhes no recipiente. Isto porque a cor do vinho diz sobre suas condições, idade e origem.
2: Deve haver uma haste. Ao segurar a taça pelo pé, evita-se o aquecimento do vinho e prolonga-se o desfrute. O modelo 1756 Amadeo da Riedel, sem haste, é lindo, mas não convence o bebedor sério.
3: Vinhos jovens e frutados, com aromas delicados, pedem bordas mais estreitas, para ajudar o aroma a se manter no copo.
4: Os vinhos envelhecidos, encorpados, que apresentam aromas mais densos como couro, especiarias, manteiga, alcaçuz, etc, requerem taça com bojo maior e recipiente mais alto. Precisam de espaço para volatilizar e liberar seus segredos.
5: Os brancos pedem taças menores porque são bebidos resfriados. Quando quentes, os brancos, pela acidez ou doçura, perdem a vivacidade e a leveza. Menos vinho no copo e mais na garrafa resfriada, acarreta, é claro, um maior número de reposições.
6: Espumantes solicitam taças longas e de boca estreita, como as flute e tulipa, onde cabe uma boa quantidade de bebida mas há uma pequena área para o escape das bolhinhas de gás.
7: Estas regras são técnicas, servem para valorizar o vinho, o ambiente, a decoração e a companhia. Mas um único modelo de taça básica, como, por exemplo, a taça padrão de degustação, é suficiente para valorizar o principal, seu prazer.

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