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Archive for abril \29\UTC 2011


Parte 1 do sexto dos encontros, novamente nas instalações da YB Music, para falar do mercado da música. Com Mauricio Tagliari, Ronaldo Evangelista, Pena Schmidt, Juliano Polimeno e Alexandre Matias.
Realizado em 22/Mar/2011

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Lançamento na Expovinis. Mauricio Tagliari e Rogério de Campos recebem Giba Reis, das confrarias de Babete e do Texugo e Carlos Agrellos, da DurhamAgrellos, produtor do Douro, na animada noite de autógrafos. Foto de Luiz Berenguer

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Poucos países tiveram no passado recente uma imagem tão negativa quanto a África do Sul. A vergonha do apartheid pairou sobre seus povos e suas terras por décadas. Sanções tornaram-na um estado pária na comunidade internacional. Impossível saber o quanto se perdeu em termos humanos, financeiros e culturais. Aos poucos, com o fim da segregação, o país começa a reencontrar seu lugar no mundo.

A história do vinho sul-africano é relativamente longa. As terras do que hoje é a África do Sul foram as primeiras do novo mundo a produzir vinhos. Ao constatar o potencial climático da região do Cabo, o segundo governador holandês ordenou o plantio de vitis vinifera, no século XVII. Um doce, provavelmente feito de muscat, era exportado para cortes europeias e enfrentava de igual para igual sauternes e tokai. Como outros países do novo mundo, a África do Sul tem sua casta-símbolo, a pinotage, híbrida de pinot noir e cinsault, mas seu potencial é imenso. E ficou adormecido durante o período mais obscuro.

Recentemente, provei vinhos de dois produtores sul-africanos que me chamaram a atenção, não só pela qualidade mas também pelo esforço em transformar a sociedade desigual de seu país. São eles a Mont du Toit e Reyneke. Ambas vinícolas são relativamente novas, criadas em meados dos anos 1990 e, além de produzirem vinhos muito bons, têm projetos sociais exemplares.

A Vinícola Mont du Toit, situada na região de Hawequa, perto de Paarl, foi fundada por Stephan e Carolina du Toit, de famíla de origem alemã envolvida com viticultura desde 1691. É uma casa low tech, de baixa produtividade, colheita manual e vinificação por gravidade. Usando cepas francesas em blends que variam a cada ano, produz três vinhos muito interessantes: Hawequas, Les Coteaux e Mont du Toit. Todos muito ricos em aroma e fruta. Meu destaque vai para o Les Coteaux, intermediário entre os outros dois. Macio, taninos resolvidos e com frescor. Persistente e agradável.

Mas o vinho que me interessou mais foi o BlouVlei. Esta marca foi colocada nas mãos dos funcionários, desde a elaboração até a comercialização, dividindo os lucros desse vinho como parte da preocupação social desse empresário estabelecido em um país ainda marcado por extremos contrastes.

A vinícola dá o suporte financeiro, técnico e administrativo. Blouvlei quer dizer poça d’ água azul. É um corte de Cabernet Sauvignon, Merlot, Shiraz e Cabernet Franc (nas proporções respectivamente 72-22-3-1%). Passa 11 meses em carvalho francês, tem 14,5% de álcool. O crítico Neil Pandock o elegeu o melhor tinto da África do Sul na relação qualidade-preço em seu guia Great Value Guru. Mesmo sendo o vinho mais básico da casa, merece nosso aplauso e admiração, não apenas pela iniciativa social, mas também por suas qualidades organolépticas.

Já a Reyneke foi fundada em 1998 por Johan Reynele Jr., um estudioso de filosofia descendente de fazendeiros da região de Stellenbosch. Sua história é curiosa. Em seus anos de estudante, trabalhou como uma espécie de gerente de trabalhadores, estes seriam o equivalente vitícola dos nossos bóias-frias, em vários vinhedos. Vendo quão dura era a vida daquele trabalhador e quão pouco recebiam por isso, em um dia particularmente frio, resolveu mudar a situação e, junto com sua equipe, produzir bons vinhos respeitando a natureza e as pessoas envolvidas. Começou a estudar a biodinâmica e a filosofia do indiano Amartya Sen, economista de Oxford, cuja essência do trabalho defende que o real desenvolvimento vem do poder e da capacidade de as pessoas escolherem conscientemente por si o que fazer de suas vidas.

Reunido com sua equipe e sem dinheiro, decidiu procurar um banco, que pediu garantias. Sem formação comercial e administrativa, teve de aceitar a exigência de frequentar um treinamento. Depois de uma semana, seus colegas desistiram, em busca de algo mais tangível. Preferiram casa e educação. Bastante razoável sob a ótica de Amartya Sen.

Johan viabilizou, então, que os trabalhadores encontrassem moradias próximas à fazenda de sua família e decidiu produzir um vinho que pagasse com seu lucro este financiamento imobiliário. Surgiu assim o Cornerstone. Mais adiante, o fundo gerado também passou a ser usado para a educação dos filhos dos trabalhadores. Alguém da CNN soube da história e pediu para servir o vinho na cerimônia do Jornalista Africano do Ano. Assim se fez. E ele teve a oportunidade de contar sua saga durante o evento.

Na manhã seguinte, avisaram-no que um convidado especial o esperava para o café da manhã. Para sua surpresa era ninguém menos do que Nelson Mandela. Em suas próprias palavras: “Desnecessário dizer que no estado de choque em que fiquei mal me recordo da conversa e não lavei minha mão por uma semana depois de cumprimentá-lo”.

O Cornerstone 2008 é servido na primeira classe dos vôos da Lufthansa. Um corte com Cabernet Sauvignon 50%, Shiraz 30% e merlot 20%, com 14,5% de álcool, denso, com cor rubi, nariz frutado e toques de especiarias. Na boca é aveludado e ainda fresco, com boa acidez. Bom equilíbrio de madeira.

O ciclo se completa no ano que vem, quando Lizanne será a primeira filha de um trabalhador a adentrar a universidade para estudar comercio e direito.

Lembrando que Reyneke é o primeiro e um dos únicos produtores biodâmicos da África do Sul, uma advertência: seu tinto socialmente responsável é muito bom. Mas seus ótimos chenin blanc e sauvignon blanc valem uma outra conversa.

Ps. Os vinhos da Mont du Toit snao importados pela KMM e os da Reyneke, pela Mistral.

*publicado originalmente no portal terra magazine em 5 de março de 2011

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Alguns elogios.

quarta, 27 de abril · 19:00 – 21:00
expovinis 2011- estande da revista Prazeres da Mesa. 19hs

Expo Center Norte Pavilhão Vermelho.
rua josé bernardo pinto 333, vila guilherme.

Sou acostumado com lançamentos de cds. Mais de 50 nos últimos anos. Estou calejado. Livro é meu primeiro! Este projeto é um dos meus orgulhos. Aguardo vcs neste pré-lançamento. Quem não puder comparecer neste ainda pode ir no mês que vem na livraria cultura (SP) ou na da travessa ( RJ).

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aquecimento para o concerto de theremin do Paulo Beto no MIS.
já, já.

na virada cutural.
“O Theremin foi largamente utilizado como efeito sonoro nos filmes de terror e ficção científica norte-americana produzidos na década de 1950, como marca registrada de seus momentos mais assustadores e sobrenaturais.
Durante a apresentação, Paulo Beto mostrará o funcionamento do instrumento e o tocará de forma intuitiva. O espetáculo se assemelhará a um concerto erudito, com seus três movimentos – andante tenso, adágio funesto, presto furioso – e mostra o alcance sonoro do instrumento nas cortantes e arrepiantes freqüências agudas.
Imagens projetadas formarão um vídeo cenário e contarão de maneira ilustrada a história do Theremin, do seu inventor e o contexto das culturas pop e erudita.” PB

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Mauricio Tagliari
De São Paulo

O vinho é um produto do encontro entre a Terra e o Homem. Não importa onde ele se dê, é difícil, e dir-se-ia indesejável, mascarar esta interação. Durante séculos, plantar e vinificar foi uma atividade meramente agrícola. E ainda é assim em alguns lugares. Cada vez mais raros, infelizmente. O Homem Vitivinícola era uma espécie de operário atávico e alquímico. Tranformava a Natureza usando a Tradição para entregar a seus irmãos um líquido mágico e saudável.

A civilização ocidental é tributária do vinho. E, consequentemente, sua transformação depois da revolução industrial afetou a vinicultura. O cultivo e a apreciação evoluíram e, em alguns aspectos, avançaram muito. Como tudo na vida, isso tem um lado bom e outro nem tanto. Quando a técnica e o interesse financeiro superam a arte, quase sempre o resultado é algo de qualidade mais constante e controlada, porém menos especial. O brasileiro apreciador de bom futebol percebe isso. Assim como o bebedor de cerveja, o cinéfilo mais rodado ou o amante da boa música.

Hoje, é comum se dizer que qualquer um pode gravar um disco em casa. Basta um computador e alguns softwares. Venho deste ramo e confirmo que isto é, em parte, verdade. Nunca se produziu tanta música. E é cada vez mais difícil encontrar algo mal gravado e mal produzido. Mas faltam as coisas especiais. As canções memoráveis, estas continuam raras. Nem só de técnica vive o homem.

Com o vinho não é diferente. A crescente profissionalização, os grandes investimentos, obrigam o produtor a se precaver. Com teorias, especialistas, defensivos agrícolas, fertilizantes, marketing, etc. O resultado inevitável é uma certa uniformização do vinho, principalmente do novo mundo.

Felizmente há quem se coloque em posição contrária a esta corrente. Quase sempre , quando conheço um desses, ouço que o trabalho do enólogo é não atrapalhar a natureza. São anti-intervencionistas. Alguns se dizem orgânicos. Outros, biodinâmicos. Mas o mais curioso é encontrar entre eles gente oriunda de outras áreas de atuação. Gente apaixonada por vinho, mas sem muita instrução ou tradição enológica na bagagem.

Nos últimos tempos, bebi vinhos fantásticos produzidos por dois filósofos, um sociólogo e um professor de literatura. Claro que todos foram abduzidos por Baco e não atuam mais em suas áreas de origem. Mas mantêm os conhecimentos, os estilos de pensamento e os transmutam com sucesso, usando o vinho quase como uma forma de metáfora. Quando não de linguagem, mesmo. Isso traz uma riqueza de interpretação do mundo e, mais que isso, dá outras dimensões ao vinho. Devolve algo de sua função simbólica.

Um destes heróis é Giuseppe Mazzocolin, proprietário da Fattoria Fèlsina, situada na proximidade de Siena, Toscana. Dentro de um certo espírito anárquico tipicamente italiano, usa a biodinâmica sem ser ortodoxo e sem divulgar ou ter de obter certificados caríssimos. Este homem, oriundo da literatura, começou a cuidar da propriedade agrícola, que era um mero investimento do sogro, ainda jovem. Em suas terras produziam-se vinho, azeite e outros produtos. Basicamente, um território auto-sustentável, como deve ser uma fazenda biodinâmica.

Ao propor produzir vinhos de grande qualidade, colocou-se aberto aos novos conhecimentos. Em suas palavras, ele “não entendia nada, era uma folha em branco”. Naquele momento, isso foi uma grande vantagem. Pôde dar-se liberdade para pensar diferente de seus colegas e buscar outros parâmetros. Os Chianti não eram vinhos tãovalorizados. Os supertoscanos surgiam e os Brunello brilhavam.

Mazzocolin resolveu então aproveitar os excepcionais terroir de sua propriedade para buscar a essência da uva sangiovese, a principal da região. O resultado é uma série de vinhos muito emblemáticos. São vinhos que ele orgulha denominar “sinceros e diretos”. Seus Chianti Clássico e também seus rRserva são nervosos, frutados, com órima acidez, frescor e com taninos muito amigos.

O aclamado Chianti Classico Rancia Reserva e o supertoscano de sangiovese Fontalloro são vinhos que provam a impressionante capacidade de evoluir no tempo desta uva. Na comparação entre os Rancia 2006, 2001 e 1994, impressionam a elegância e a leveza em todas as safras, inclusive com uma surpreendente menta na safra 90. Um Chianti sublime. Curiosamente, Mazzocolin conta que, ao ser degustada jovem, a safra 90 era “modesta” e superou suas melhores expectativas. Um vinho especial que melhorou muito com o tempo.

O Fontalloro também é um vinho que brilhou na degustação das safras 2005, 1995 e 1990. De caráter um pouco mais mineral e terroso, é um IGT (Indicazione Geografica Tipica), no meio do caminho entre o Chianti Classico e o Chianti Colli Senesi. Muito equilibrado e gastronômico, é um verdadeiro exemplo de até onde pode chegar a sangiovese.

Mas como bom poeta, Mazzocolin se permite experimentar. E o faz com o seu Maestro Raro, um cabernet sauvignon com toques de cacau, muito estruturado e elegante. O que me chamou mais a atenção, porém, foi seu I Sistri 2007 Chardonnay. Um branco com 14% de álcool, extremamente agradável, frutado, fresco e untuoso, que faz uso das barricas de carvalho de maneira bastante equilibrada, sem trazer muito abacaxi ou baunilha. Carrega a tipicidade da região e é um dos melhores chardonnay de fora da Borgonha que já experimentei. Por U$ 76,50 na Mistral.

O vinho e o mundo precisam de gente que pense e ouse.

*publicado originalmente no portal terra magazine em 26 de fevereiro de 2011, 08h20.

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meu tumblr

Tenho gostado muito do Tumblr e do Instagram. Por conta disso andei deixando este blog meio abandonado. Prometo tentar integrar e racionalizar mais isso tudo. Muito trabalho pela frente. Aqui o tumblr: http://mauriciotagliari.tumblr.com/

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