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Archive for maio \28\UTC 2011

kassab, lady gaga, galvão bueno, soninha, seu amigo enochato?

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Angelo Gaja é, além de um gigante do vinho mundial, um grande entertainer. Quem esperaria, em 2011, que uma degustação começasse com um balanço de prós e contras dos sistemas comunista e capitalista? Quem imaginaria uma palestra de quase duas horas na qual o grande produtor dissesse logo de cara estar cansado de enfiar o nariz no copo e preferir falar de história? Ou que comparasse cabernet sauvignon a John Wayne e nebbiolo, a Marcello Mastroianni?

Pois foi o que aconteceu no encontro comemorativo dos cinquenta anos de carreira deste profissional que é uma verdadeira lenda da enologia. Provavelmente o mais renomado produtor italiano, único quatro estrelas do guia Gambero Rosso, Gaja esbanja carisma ao lidar com seus interlocutores. É um depositário de histórias e testemunha da grande transformação ocorrida nestes anos num mercado que está entre os mais dinâmicos e globalizados.

Ao assumir a propriedade da família em 1961, aos 21 anos, herdou já uma rica tradição de qualidade. A família Gaja começa a produção vinícola no Piemonte em 1859. Por volta de 1905, inicia uma filosofia de só engarrafar vinhos de alta gama, inspirada na avó de Angelo, Clotilde Rey, de cultura mais elevada num meio camponês. Com isso, logo cedo a marca Gaja torna-se muito respeitada.

Angelo estudou Economia na Itália e Enologia, na Itália e na França. Introduziu inovações tecnológicas importantes e se tornou um paladino da uva nebbiolo. Foi dos primeiros a produzir Barolo de vinhedos únicos. Seus Barolos e Barbarescos elevaram esta casta piemontesa a níveis nunca alcançados antes. Foi também o responsável por levar os vinhos da casa para fora da Itália.

Não satisfeito, em 1994 expandiu sua área de ação para a Toscana, explorando primeiro a sangiovese em Montalcino, com seus Brunellos, e finalmente, em 1996, o terroir dos supertoscanos, Bolgheri, onde planta cabernet sauvignon, merlot e cabernet franc.

Defensor da artesania do vinho, ao mesmo tempo elogia (não sem uma ponta de ironia, a meu ver) Robert Mondavi, a quem chama de mestre, por ter criado vinhos excelentes acreditando sempre na expansão da produção com qualidade, o que teria elevado o nível do consumidor. Mondavi, inventor também do turismo vinícola de massa, seria, segundo Gaja, o professor de todo o novo mundo do vinho. O que não é pouca coisa.

Polêmico, desde 1996 mudou a apelação de todos os seus Barolo e Barbaresco de single vineyard para Langhe Nebbiolo D.O.C. por acreditar que as colinas de Langhe seriam um terroir destacado. Desde então vem plantando também castas estrangeiras nestas terras.

Entre arquitetura, preservacionismo, política trabalhista e piadas, Angelo Gaja cumpriu sua palavra de não falar de aromas e sabores, deixando esta tarefa para nós, apreciadores. Só nos resta, portanto, cumprir nossa parte.

Começamos com o Alteni di Brassica Langhe Sauvignon Blanc 2008 (Mistral, U$ 197,50). Um vinho macio e denso, com a madeira muito bem trabalhada. Corpo e acidez muito equilibrados. Um dos melhores desta casta que já provei.

Ca’Marcanda DOC Bolgueri 2006 (Mistral, U$ 269,50) 50% merlot, 40% cabernet sauvignon e 10% cabernet franc. Este supertoscano de minúscula produção traz fruta, ótimo corpo, equilíbrio e persistência. Dois vinhos superlativos e ainda não chegamos na sua especialidade, a uva nebbiolo.

Mas aqui está ela. Barbaresco 2005 (Mistral, U$ 390,45) é um ícone da casta na região. Aroma complexo, rico de frutas do bosque, alcatrão e com paladar muito vivo. Elegante, potente e com os taninos vibrantes. Persistente e deve evoluir muito ainda.

Sperss Langhe Nebbiolo 2005 (Mistral, U$ 525,90) com 94% de nebbiolo e 6% de barbera, é um single vineyard da região de Barolo. Seu aroma é profundo e lembra, além de frutas vermelhas, algo mineral. Ótima estrutura e taninos maduros muito agradáveis.

Brunello di Montalcino Sugarille 2000 (Mistral, U$ 329,50). Se algo pode ser dito sobre este vinho, é que demonstra elegância e classe. Uma verdadeira redenção em meio à oferta de Burnello de alto preço e qualidade duvidosa. Este é um puro-sangue. Complexo e estruturado, é sedoso e macio na boca. E pode evoluir.

Angelo Gaja promete ter sido esta sua última viagem profissional ao Brasil, algo compreensível para uma pessoa de sua idade, apesar de sua vitalidade ser assombrosa. Gaja jura que não vai se aposentar, apenas transferir a parte comercial a sua simpática filha Gaia, que já esteve no Brasil para representá-lo. Que assim seja. Ele cuida dos vinhos. E sua filha o representa. Mas sentiremos falta de sua verve e bom humor.

*publicado originalmente no portal terra magazine.

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Transformar a hora do rush de sexta feira num momento de diversão e cultura. Com este objetivo, a Cinemagia e a gravadora ybmusic realizam um festival musical gratuito na estação Paraíso do Metrô. A idéia é que este festival se repita duas vezes por mês, sempre às sextas-feiras, no espaço cultural do projeto Encontros. Com as apresentações musicais, as pessoas evitam os trens na hora de pico, adiam a volta para casa e podem encerrar a semana com um festival musical da melhor qualidade – serão 3 horas de música gratuita.

18h – Roger W. Lima
19h – Bruno Batista
20h – Saulo Duarte e A Unidade

Metrô Paraíso (Rua Vergueiro, 1465 – Paraíso)

18h às 21h | R$ 2,90 (passagem)

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Há quem goste de fechar os olhos e imaginar viagens pelo mundo nos copos de bebida. Afinal, os líquidos são resultado do encontro entre o homem, a cultura e o meio, e carregam algo muito particular e simbólico de suas origens. Beba rosés e pense no sul da França. Beba saquê e imagine seu quimono e flores de cerejeira. Mande goela abaixo um single malt e respire o ar puro das highlands. A imaginação não tem preço e não precisa de limites. Mas experimentar in loco é uma experiência insubstituível. Fiquemos, por ora, aqui pelo Brasil.

Cada região tem suas peculiaridades, é claro. Mas a cachaça e a cerveja reinam por quase todo o território. São Paulo, um centro mais cosmopolita e sem tradição produtora, por exemplo é uma babel internacionalizada de marcas e produtores. Grosso modo, na mente do bebedor médio, cachaça lembra Minas, chope é tradição carioca, café, coisa de paulista, aquelas batidas exóticas são coisa de carnaval no nordeste e vai por aí. Rótulos, estereótipos, sabemos.

O sul do Brasil, mais especificamente o Rio Grande Sul, tem um perfil etílico diferente do resto do país. Um território de versatilidade. É, sem dúvida, cultural e economicamente, nosso centro vitivinícola. Diferentemente do resto do país, ali a oferta de vinhos finos nacionais é maior do que a de importados. Os bares e restaurantes se orgulham de apresentar opções locais. Mas não só de vinhos. A oferta de cachaças, quase sempre artesanais e temperadas com ervas ou frutas, também é grande. O mesmo acontece com schnapps e steinhäger. Lembrando que o álcool, porém, não é onipresente. O chimarrão talvez seja a bebida dominante no dia-a-dia gaúcho.

Porém, provavelmente devido à mescla ítalo-germânica em torno de Porto Alegre e região das serras, o que chama a nossa atenção hoje é uma curiosa oferta local de cervejas artesanais. Nem sempre dentro da tradição alemã, o que seria mais óbvio. As ale são dominantes, mas não exclusivas.

Provei uma de trigo muito boa: Whitehead. Uma unanimidade na roda do bar. Seu sabor delicado, não tão amargo, faz sucesso com mulheres e jovens. E, com razão, supera muitas das de trigo industrializadas ou importadas, talvez por ser mais fresca.

A Schimitt Big Ale, que já conhecia na versão long neck, se mostrou muito agradável, leve, com aroma de especiarias, frutas brancas e ligeiro floral. Por não ser filtrada, o líquido do final da garrafa vem mais turvo, o que não chega a ser um problema, pois o sabor vem ainda melhor.

Não posso dizer o mesmo da Coruja Extra Viva, uma lager de cor mais escura, com forte acento de caramelo. Apesar do ataque agradável se mostra muito doce e um pouco enjoativa no final de boca. Inegável o cuidado com a produção, inclusive com uma garrafa muito bonita e que se destaca. Poderia ter um pouco mais de amargor residual.

Infelizmente, a Vitrola Ale, outra artesanal que insisti em beber, apesar das advertências das garçonetes, e até do dono do bar, de não ser uma tiragem boa, estava muito ácida e carbônica, com um desagradável final forte de levedura. Enfim, segundo o pessoal da casa, o simpático Bar Parangolé, reduto de músicos de choro da cidade, as tiragens são semanais e eu definitivamente dei azar. O rótulo é moderno, limpo, fugindo do padrão europeizante e tradicionalista que é regra. Espero dar mais sorte da próxima vez.

A estrela da noite foi, porém, a Irmãos Ferraro Golden Ale. Uma dourada e complexa ale com os toques de cravo e ervas, pêssego, abacaxi e algo de cítrico. No palato, amargor ótimo e acidez equilibrada. Fresca e persistente, sem ser enjoativa. Uma ale de grande elegância. A nota curiosa que reforça a peculiaridade deste mercado do sul é o texto do contra-rótulo que apresenta a cerveja como “naturalmente de Porto Alegre” . Precisa dizer mais?

* publicado originalmente no portal terra magazine.

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Domingo [29/05] 20h30_ R$26
A cantora e compositora Blubell faz uma versão intimista mas não menos quente do show do seu recém-lançado segundo disco – “Eu Sou Do Tempo Em Que A Gente Se Telefonava”. Acompanhada apenas por Daniel Muller no piano e acordeom, Rui Barossi no contrabaixo e Guilherme Marques na bateria, ela entoa suas canções que misturam jazz e pop, e ainda tira da cartola outras surpresas do cancioneiro do jazz. Não vão faltar no repertório “La Vie En Chose”, sua ode irônica à música francesa, e “Chalala”, que é tema de abertura da série “Aline” da Rede Globo, baseada na personagem de HQ do Adão. E quem não conhece Casa de Francisca, saiba que é uma casa que respeita a música e o paladar dos clientes. Bons vinhos.

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Marco Pallanti é o enólogo responsável pelo delicioso Castelo di Ama Chianti Classico. Sua figura tranquila e bem-humorada esconde um apaixonado, meticuloso e algo rigoroso profissional. Lembro-me dele num evento há alguns anos, orgulhoso de seu filho pré-adolescente. Este servia taças aos presentes enquanto tecia comentários pertinentes sobre cada vinho. Impossível não se impressionar com o menino, tão animado, compenetrado em seu trabalho, sob o olhar carinhoso do pai.

Cito este episódio pois parece retratar um momento revelador. Um pai merecidamente orgulhoso de sua cria. E criar um filho, como criar um vinho, cada coisa a seu modo é tarefa desafiadora. Vários fatores podem levar ao sucesso ou à decepção. Pais e enólogos não têm controle absoluto sobre suas criações. Os mais comprometidos tentam dar as melhores condições para o desenvolvimento aos rebentos. Mas um clima ruim aqui, uma má companhia ali, qualquer coisa pode atrapalhar.

Pallanti tem muitos motivos para se orgulhar de seu filho e de seus vinhos. Ao chegar ao Castelo di Ama, no final dos anos 70, era um jovem agrônomo, numa propriedade com histórico centenário, mas que havia sido refundada como casa vinícola em 1972, por três famílias romanas: Carini, Sebasti e Tradico. Em alguns anos, seu talento foi amplamente reconhecido, seus vinhos, premiados e sua filosofia, vitoriosa.

Casado com Lorenza Sebasti, diretora da vinícola, Pallanti revelou-se pioneiro em várias posturas no Chianti. Foi o primeiro a introduzir o conceito de cru, com o Vigneto Bellavista, depois com o Vigneto San Lorenzo e finalmente com o Vigneto La Casuccia. São todos vinhos de terroir, excelentes e produzidos apenas em safras excepcionais. Foi também o primeiro a usar vinificação com temperatura controlada em tanques de aço. O primeiro a usar barricas pequenas de carvalho. Por estas e outras, conquistou o título de “Winemaker of the Year” do Guia Gambero Rosso, em 2003, e em 2006 foi eleito presidente do Consorzio del Vino Chianti Classico.

O seu carro-chefe, o Castelo di Ama Chianti Classico 2006 (Mistral U$ 89,50), é um dos ícones da nova enologia toscana. Não um reserva, mas uma seleção das melhores uvas sangiovese de vários vinhedos, vinificadas separadamente e depois misturadas para produzir um campeão. Coleciona “tre bichieri” do Gambero Rosso. Fato raro para um chianti não-reserva.

Seu aroma é rico, complexo. Traz camadas de frutas vermelhas, compotas, rosas, especiarias, tostados. Madeira discreta, dado o emprego de barricas de primeiro, segundo e terceiro uso. Taninos elegantes e boa persistência. Um vinho extremamente gastronômico. Aliás Marco Pallanti faz uma apologia do vinho para refeições. Critica o fato de a “comida ter virado arquitetura e o vinho ser imbebível. Verdadeiros Arnold Schwarzenegger…” Seu Chianti Classico é antes de mais nada um vinho equilibrado, elegante, harmônico.

Inconformado com um certo desprestigio dos chianti, Pallanti criou o que veio a ser seu vinho mais famoso: o L’Apparita. E novamente a metáfora pai-filho retorna. Este vinho é considerado um dos melhores merlot da Itália e, segundo a Wine Spectator, “deixa o Chateau Petrus a ver navios”. Uma maneira de dizer que é um dos melhores merlot do mundo. O enólogo confessa que o criou mais com o objetivo de chamar atenção da crítica para seus vinhos. Mas o sucesso foi tão grande que ele o encara um pouco como um filho rebelde. Bem-sucedido, mas rebelde.

O L’Apparita 2006 (Mistral U$348) é um vinho de cor densa, muito corpo, untuoso e potente. Na boca, é frutado e com taninos, diria, mais nervosos que seu irmão. Muito persistente. É um merlot de altitude, que deve evoluir muito bem.

Os seus cru são prova do potencial da sangiovese, esta uva difícil e cheia de personalidade, comparada por Pallanti a sua prima Borgonha, a pinot noir. O Vigneto Bellavista 2006 (U$ 348) leva uma pequena parcela de malvasia nera. Tem um aroma rico, com tostados e frutas vermelhas do bosque, mas na boca é que se destaca. Paradoxalmente de bom corpo, mas muito leve, com taninos suaves e muita persistência. O Vigneto La Casuccia traz 10% de merlot. Tem nariz potente, frutado e mineral. No palato é redondo, elegante e equilibrado, com uma acidez excelente para acompanhar comida. Muito persistente. Ambos os vinhos estão acima da média dos Sangiovese tradicionais. São de um perfil moderno. Vivo. Fruto do questionamento sobre o presente e o futuro, mas com os pés fincados na tradição.

Um espelho deste pensamento é o próprio Castelo di Ama, um imóvel do século XVIII, cuidadosamente restaurado, e que a cada ano, a cada nova safra, recebe uma obra de um renomado artista contemporâneo, num projeto ousado que inclui entre outros Anish Kapoor, Giulio Paolini, Ilya Kabakov, Louise Bourgeois, Chen Zhen. As obras se espalham por toda a propriedade, nos vinhedos, na adega, na entrada, integradas ao ambiente, ao terroir. Vinho e Arte, no ritmo da Natureza.”

*publicado originalmente no portal terra magazine

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Poucas coisas atrapalham mais o desenvolvimento humano do que o preconceito. Cada um de nós tem uma parcela, maior ou menor, de vícios, costumes, idiossincrasias que resultam nesse sentimento insuspeito. Para combatê-lo precisamos de perseverança, oportunidades e exemplos.

Quem começou a beber vinho brasileiro nos últimos 5 ou 6 anos não tem idéia da enorme evolução de qualidade que se deu na última década. Na verdade, é um processo iniciado há mais tempo, com a chegada de multinacionais ao país, na década de 70. Os mais velhos e os mais desinformados talvez ainda tragam na memória alguns vinhos esforçados, mas ainda com defeitos. Um amargor final aqui, uma falta de corpo ali, e assim por diante. Há que se superar isto. O vinho brasileiro está cada vez melhor.

A convite do Ibravin (Instituto Brasileiro do Vinho), estive na Serra Gaúcha há algumas semanas. Em obediência a uma agenda bem montada, apesar de algo extenuante, visitamos várias vinícolas e pudemos travar contato com muito do melhor da cultura vitivinícola brasileira. Tenho de fazer a feliz confissão: demoli alguns dos meus preconceitos. Esperava bons espumantes e vinhos apenas corretos.

O espumante

Na oportunidade, fomos apresentados ao CPEG (Consórcio dos Produtores de Espumantes de Garibaldi-www.cpeggaribaldi.com.br) por meio de palestra e degustação. Uma das certezas que levamos na bagagem foi a da qualidade do espumante brasileiro.

Veja também:
» O espumante brut brasileiro – parte I
» Os espumantes brut brasileiros – parte II
» Os espumantes brut brasileiros – final

Nisto, tínhamos razão. O CPEG corroborou nossa opinião. Um grupo de vinícolas de Garibaldi em busca de qualificação e reconhecimento optou não por uma denominação de origem, mas por uma marca coletiva.

Sem contar com os festejados espumantes da Valduga e da Cabe Geisse, por razões geográficas, tivemos o destaque para os os brut e nature do argentino-brasileiro Adolfo Lona (www.adolfolona.com.br), figura simpática e carismática, além de profundo conhecedor da técnica de vinificação de espumantes.

Lona trabalha com ciclos de produção um pouco mais longos, tanto no método charmat quanto no tradicional, conseguindo, assim, maior complexidade em seus vinhos. Sua cave é o que pode se chamar de “garage”. Marcas menos famosas no resto do país também brilham. E até fora do Brasil.

O Grand Legado Brut Champenoise, da vinícola Wine Park, por exemplo, conquistou medalha de ouro no International Wine Challenge 2011, um dos concursos independentes de vinhos mais prestigiados e influentes do mundo. O anúncio foi feito na abertura da London International Wine Fair (LIWF), nesta terça-feira (17), em Londres, consagrando o espumante como o primeiro rótulo verde-amarelo a receber ouro no concurso, disputado por mais de 12 mil amostras de 48 países, número recorde de participações em sua história.

Mas nem só de garagem vive o espumante brasileiro. Na mesma oportunidade, os espumantes Aurora Brut Chardonnay e Aurora Brut 100% Pinot Noir, da gigante Cooperativa Aurora, receberam, respectivamente, medalhas de prata e de bronze.

Neste aspecto, temos de louvar o Ibravin (http://www.ibravin.org.br/) e seus projetos de imagem nos mercados interno e externo, respectivamente Vinhos do Brasil (www.vinhosdobrasil.com.br) e Wines of Brazil (http://www.winesfrombrazil.com.br/), este em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil).

Estes projetos estão levando, sistematicamente, críticos nacionais e internacionais, jornalistas e blogueiros para vivenciar o florescimento da vinicultura verde-amarela. Alguns como Oz Clarke (veja em http://youtu.be/eItCl7UxWeQ), Julia Harding, braço direito de Jancis Robinson, e T.M. Luongo, da Wine Enthusiast, mostram-se muito impressionados, dando conselhos e apoio apaixonado.

Além disso, a Wines of Brazil tem marcado presença de forma global. Promove periodicamente bem-sucedidas degustações, da Suíça a Hong Kong. Sempre surpreendendo os especialistas.

Um exemplo dos resultados se pode medir pela inclusão de quatro rótulos brasileiros na carta de vinhos do famoso restaurante River, do Hotel Savoy, em Londres, frequentado por empresários, artistas britânicos e pela família real. Três vinhos (um branco, o Dádivas Chardonnay, da Lidio Carraro; e dois tintos, o Gran Reserva Cabernet Sauvignon, da Casa Valduga; e o Tannat, da Pizzato) e um espumante (o Cave Geisse Brut Rosé) foram escolhidos pelo sommelier brasileiro Áthila Roos, contratado no ano passado pelo River.

O primeiro master sommelier da penínsla ibérica, João Pires, do Dinner, do chef Heston Blumenthal, no Hotel Mandarin, em Londres, também escolheu um Miolo Merlot 2008 para este que é um dos mais caros e refinados restaurantes da Inglaterra.

Como se vê, os vinhos brasileiros estão entrando pela porta da frente do exigente e sofisticado mercado do vinho mundial: Londres. Será um longo caminho. Mas, pelo ritmo do trabalho, a capacidade das pessoas e a presença em feiras internacionais, é só questão de tempo para o vinho brasileiro começar a encontrar seu espaço nas mesas do mundo todo.

A outra “apresentação” feita durante minha visita foi a do D.O. Vale dos Vinhedos. Mas isto fica para a próxima semana.

*publicado originalmente no portal terra magazine

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