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Archive for abril \25\UTC 2014

O Chile é aquele fenomenal país com 4.630 quilômetros de norte a sul, cheio de sol, montanhas, desertos, vulcões e lagos espremidos numa faixa que não passa de 430 quilômetros em seu ponto mais largo de leste a oeste. Seus vales e subvales estão repletos de opções geográficas para diferentes tipos de vinhos. Mas nós brasileiros nos acostumamos a pensar em seu cabernet sauvignon potente, com muito álcool e extração, excessos de sabores como pimentão, gordos! Ou ainda nos seus chardonnay super encorpados e com muita madeira. Isto, mesmo antes do advento dos vinhos carmenere, a marca registrada do país.

Claro que sempre houve vinhos fantásticos. Mas mesmo estes tendiam um pouco ao excesso. Tal perfil fez e faz ainda muito sucesso em degustações mundo afora. Aos apreciadores de boa gastronomia, contudo, são sinônimo de desequilíbrio com pratos mais delicados ou sofisticados.

O Chile evoluiu, sim. Há alguns anos Felipe Tosso, enólogo chefe da Ventisqueira, comentava aos pés de um vinhedo em Apalta como havia mudado seu jeito de fazer vinho. Desfilava motivos para colher a fruta mais cedo, preocupado com o excesso de madurez da fruta. Buscava mais acidez e menos açúcar.

Há pouco mais de um ano ouvi de Pedro Parra, o grande especialista em terroir, consultor e agora também produtor dos maravilhosos Clos de Fou, a preocupação com o avanço lento da enologia chilena. Tentava ele sensibilizar o cônsul de seu país em São Paulo. Parra é um globetrotter. Conhece tudo e todos no mundo do vinho. E tem um a personalidade inquieta.

O fato é que há mostras significativas desta evolução. Recentemente seus produtores se reuniram para expor uma nova classificação de territórios, separando os vinhos dos Andes daqueles do vale Entre Cordilheiras e da Costa, com o objetivo de esclarecer melhor ao consumidor o que esperar de cada vinho. Simplificar. Pois nem todos estão dispostos a decorar a lista enorme de nomes de vales produtores.

Agora, em outro ótimo evento da Wines of Chile, tivemos a oportunidade de provar grandes vinhos chilenos comparando safras recentes (2010) com seus irmãos em torno de dez anos mais velhos.

Percebe-se uma tendência clara no sentido de vinhos mais preocupados em expressar a fruta e o terroir. Vinhos que enfatizam a individualidade e um caráter preciso. São mais autênticos e limpos do que muitos dos seus irmãos mais velhos. Sem desmerecer estes últimos, que, em sua maioria, estavam excelentes mas algo homogêneos.

Os mais recentes, em parte por pertencerem a safras mais frias, denotam vivacidade e acidez maiores. São potentes sem serem gordos. Mais leves. Se vão evoluir tão bem? Só o futuro dirá. Minha aposta é que sim.

Aqui vai a lista dos vinhos provados:

Errazuriz Don Maximiano Founders Reserve, safras 2000 e 2010

Concha y Toro Don Melchor, safras 1996 e 2010

Santa Rita Casa Real, safras 2002 e 2010

Altaïr, safras 2002 e 2010

Casa Lapostolle Clos Apalta, safras 2002 e 2010

Montes Folly Syrah, safras 2000 e 2010

Aproveitei para entrevistar Patricio Tápia, do prestigioso guia “Descorchados”, que nos expõe sua opinião sobre esta evolução, e Suzana Gómez, da vinícola Altair, que chama a atenção para o fato de o novo mundo ter, sim, história. Vejam aqui eaqui no canal winevloggers do youtube.

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Quem assiste a seriados como Mad Men deve pensar que os americanos já beberam muito mais do que hoje. Copos nada modestos de uísque, gim e vodca são tragados desde o café da manhã até o serão, em plena madrugada. Nada de cerveja ou vinho. A tradição vem de longe. Todo western que se preze tem a cena, seja do mocinho ou do bandido, no balcão do saloon virando um ou mais shots puros, que aqui no Brasil ganharam o apelido de cowboy. Faulkner dizia que a civilização começou com a destilação.

Enquanto o uísque escocês pode ser dividido basicamente entre blend e single malt  classificados por região, o destilado americano é um emaranhado de regras e nomes. Bourbon, Kentucky Whiskey, Tennessee Whiskey, American Whiskey, Rye Whisky, Corn Whiskey, etc. Cada um tem origem, ingredientes e legislação específica.

Sua história começa nos estados do leste da América do Norte. E remonta o heróico passado da independência. Aparece inicialmente à base de centeio (rye whisky). George Washington foi proprietário de uma destilaria de rye whisky. Nada surpreendente para quem também plantou e defendeu a cultura de hemp (cânhamo, maconha). Ao se deslocar para o oeste, a bebida vai se transformando e adotando outros cereais até incorporar o milho.

O Conselho de Bebidas Destiladas dos Estados Unidos trouxe Jeff Arnett, master distiller da Jack Daniel’s, para um seminário sobre o assunto. Acompanhado por alguns produtores independentes, Arnett apresentou um painel interessantíssimo sobre o assunto e coordenou uma degustação inédita no Brasil. Dos oito apresentados, incluindo os conhecidos Jack Daniel’s, Jim Beam e Wild Turkey, destaco três.

Maker’s Mark ( www.makersmark.com) é um bourbon do Kentucky cujo malt é feito de milho, cevada e trigo vermelho. De cor âmbar, tem aroma de mel, menta, tabaco, tostados e na boca é suave, elegante, longo e de bom corpo. Muito equilibrado.

Jack Daniel’s Single Barrel Tennesse Whiskey é mais escuro, marrom-alaranjado. Aromas claros de madeira, baunilha e toffee que preparam a boca para algo cítrico, frutado e levemente salgado.

Bulleit Bourbon leva 68% de milho, 28% de centeio e 4% de cevada maltada. Uma linda cor marrom-dourada escura e aroma complexo com toques de laranja, mel, pimenta e caixa de charutos são suas características principais. No palato é potente, abaunilhado, encorpado, elegante e com especiarias várias a se apresentar.

Mas nem só de uísque vive o americano. Vodcas e brandies também marcaram presença. Entre os pequenos, ainda sem importadores, destaco a Osocalis Distillery e Catoctin Creek Distilling Co.

A Osocalis (www.osocalis.com) foi fundada no início dos anos 1990 em Soquel, na Califórnia. A marca usa um pequeno alambique tradicional Charental, importado de Cognac, para produzir ótimos brandies com uvas e maçãs das regiões mais frias da costa da Califórnia.

A Catoctin Creek Distilling Co. (www.catoctincreekdistilling.com), fundada pelo casal Becky (engenheira química) e Scott Harris ( engenheiro de TI) em 2009, é a primeira destilaria legal em Loudoun County, Virginia, desde a Lei Seca. Produzem destilados orgânicos e kosher de alta qualidade. Deles provei, entre outros, o Mosby’s Spirit, um white dog, outro apelido para um moonshine, aquele uísque branco que não passa por madeira nem leva corantes.

O termo moonshine se origina da atividade ilegal feita sob o manto da noite e testemunhada apenas pela luz da lua. Mosby’s Spirit, longe de suas congêneres, muitas vezes perigosas, intoxicantes e mortais, é uma refinada versão do uísque ilegal, que fugia das taxas e driblava a Prohibition.

Este que provei tinha o centeio bem presente, toques cítricos e uma doçura sutil. Não testei, mas imagino que seria ótimo ingrediente para coquetéis e em nada lembra personagens desvalidos de Bob Dylan ou Jack London vagando clandestinamente pelas estradas de ferro da América. Está mais para um episódio de House of Cards. Moderno, sofisticado e surpreendente. Mas perigoso, ainda assim.Imagem

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este é um blog sobre bebidas. não sobre transporte. mas imagine poder viajar mais rapidamente e bebendo um bom vinho, uma cervejinha, sem se preocupar com polícia rodoviária, bafômetro, lei seca, multas, etc…

blog da Raquel Rolnik

Mais uma vez a volta do feriado exigiu muita paciência dos paulistanos. Muita gente ficou horas parada no trânsito para conseguir voltar pra casa. Um amigo levou 10 horas para fazer um trajeto entre o litoral e a capital que normalmente dura 3 horas. Imagine só… você passa quatro dias descansando, mas chega em casa totalmente estressado depois desta agradabilíssima viagem de volta…

Já está mais do que claro que duplicação de rodovias, construção de novas pistas, túneis e viadutos não resolvem esse problema. Além de não darem conta da demanda – que só aumenta à medida que se abre mais espaço para veículos passarem –, as consequências ambientais são sempre grandes e raramente mitigáveis. Destruímos serras para chegar mais rápido e usufruir… das próprias serras…

Antigamente era possível ir de trem até Santos e até mesmo para o Guarujá. Lembro que íamos de trem para o Rio, para Minas…

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