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Archive for outubro \02\UTC 2014

Ao provar, recentemente, os vinhos chilenos de Errazuriz e Caliterra pudemos notar a força das ideias de um homem. Além de elegantes, gastronômicos e cheios de personalidade, trazem o nome de Eduardo Chadwick, o visionário proprietário das duas vinícolas, embutido nos seus rótulos.

 

Idealizador da Cata de Berlin, onde comparou às cegas seus vinhos com os que haviam sido ranqueados 100 pontos por Parker, como Margaux, Lafite e Latour da colheita 2000, Sassicaia, Solaia, Tignanello. Foi uma surpresa para os críticos eleger como os melhores os seus Chadwick 2000 e Seña 2001, este concebido em parceira com Robert Mondavi.

 

Herdeiro da tradicional Bodega Errazuriz, Eduardo lidera uma guinada na enologia chilena. Incluindo terroir, tecnologia e sustentabilidade na pauta chilena, vem transformando os vinhos e nossa percepção a respeito deles.

 

Fundada em 1870, a Errazuriz saiu da mão da família para ser retomada em 1983. Hoje possui uma bodega nova que funciona por gravidade. A mais jovem Caliterra produz seus tintos em 1850 hectares de Colchagua, abarcando vários solos e várias exposições solares. Os brancos vem de Leyda no litoral, fresco e com influência oceânica. Provei sete vinhos Errazuriz e seis da Caliterra, todos muito interessantes. Aqui vão as minhas impressões:

 

Max reserva sauvignon blanc 2013, Aconcagua. Tem 13% de álcool e passa 3 meses nas borras (U$43,90). Cor amarelo palha, nariz delicado de frutas brancas se abre em cítrico. Na boca é cremoso, delicado, seco, mineral e  tem acidez elegante.

 

Meu preferido foi o Chardonnay Aconcagua Costa 2013. (13,5% de álcool, 12 meses de madeira usada) Cor palha e aroma floral, silvestre. Leve, longo, de acidez delicada, toques de pessego, limão siciliano e um final quente. Corpo médio, elegante e quase europeu.

 

Max Reserva Pinot Noir 2012 (13,5% de álcool U$43,90) Boa cor. Aromas de fruta vermelhas levemente cozidas ou maduras demais. Boca leve, boa acidez, corpo fresco e suculento. Facil de beber.

 

Syrah Aconcagua Costa 2012 (13,5%) Este syrah de um solo de xisto passa 14 meses em barrica francesa usada. Tem cor densa rubi, aromas de especiarias, cânfora e algo animal. No palato é nervoso, tanino vivo, grande acidez, persistência e corpo medios, suculento e levemente frutado.

 

The Blend Collection Red 2008 (40% carmenere,  25% syrah, 14% petit verdot, 13% mourvedre, 8% cabernet  franc, 14,5% de álcool, passa 16 meses por  barrica francesa  60% novas,  U$69,90) Boa cor e um halo marron revelando sua maturidade. Nariz potente traz baunilha, chocolate, notas de  madeira e tostado. Na boca é elegante, potente e de boa estrutura. Completa com boa acidez. Um vinho suculento  e no seu ponto ideal.

 

Todo ano o corte do Blend Collecion muda para buscar a expressão máxima da colheita. A versão 2011 é um blend mediterraneo .

 

The Blend Collection Red 2011 (55% grenache,  28% mourvedre,  10% syrah,  5% carignan, 2% marsanne,14% de álcool, passa 16 meses por barricas francesas novas, U$69,90). Um vinho de cor densa e potente aroma de fruta fresca. No paladar é suculento, leve, frutado, de boa acidez, tanino elegante,  gastronômico. Não se sente a madeira sobressair e é facílimo de beber. Pode evoluir muito.

 

Don Maximiniano Founder’s Reserve 2009 (80% cabernet sauvignon, 10% carmenére, 5% petit verdot, 5% cabernet franc, 14,5%  de álcool, passa 22 meses em  barricas francesas novas,  U$189). Sua cor densa e fechada já promete a potência que o nariz reforça. Rico em fruta madura, balsâmico, tabaco e mentol. No paladar é estruturado, encorpado, tem tanino potente, carnudo e persistente. Sua acidez é ok e tem grande capacidade de evolução.

 

A prova de Caliterra trouxe o Tributo Sauvignon Blanc 2012 do Sul do Vale de Leyda. Um branco erbáceo com toques de maracujá, leve, floral, mineral, salino, com boca cremosa e acidez  delicada. Bom corpo e sem madeira. Muito agradavel.

 

Tributo Carmenere 2011, (14,5% de álcool, 91% carmenere, 6% cabernet franc, 3% syrah) O vinhedo fica no meio do vale de Colchagua, sobre um trecho de argila negra. Tem cor rubi transparente, nariz de especiarias, paladar picante, sápido e de corpo médio. Taninos bons, acidez idem. Muita fruta negra e sensação quente.

 

Tributo Cabernet Sauvignon 2011( 14,2% de álcool, 91% cabernet sauvignon, 6% petit verdot, 3% cabernet franc, R$88). Originário de um vinhedo numa colina com exposição norte, sua cor tem densidade média, traz um agradável nariz de chocolate, pimenta preta, frutas negras e caixa de charuto. Na boca tem muita fruta, taninos macios, acidez boa e  leve toque animal.

 

A interessante proposta da série Caliterra Edición Limitada traz tres cortes: A de andino, M de mediterráneo e B de bordalês. Todos com 14,5% de álcool.

 

Edición Limitada A 2010  (65% carmenère, 32% malbec, 3% petit verdot, R$ 162).

2010 foi um ano frio, o que ajudou no frescor dos vinhos. Nariz de especiarias, frutas negras, café e  tabaco. Na boca é macio, encorpado,  quente, rico de fruta negra, fez bem a malolática, tem a madeira presente. Longo e alcool explosivo.

 

Edición Limitada M  2010 ( 91% syrah, 6% viogner, 3% petit verdot). Escuro púrpura denso. Nariz potente de fruta madura, leve floral. Peca pelo excesso de álcoool, mas os taninos largos e o uso dosado de madeira nova, compensam. Promete.

 

Edición Limitada B 2011 ( 74% cabernet sauvignon, 9% merlot, 4% cabernet franc ). Cor rubi densa e borda violácea, tem um nariz cheio de especiarias e fruta vermelha. Na boca é macio e fácil. Taninos e acidez bem equilibrados com uma madeira bem integrada. Evoluirá muito bem e superará bons Bordeuax pelo caminho. O meu preferido da série.

 

Baixo um clipe de Necesito una Canción, de NaNo Stern. A música fala de renovação, de velho e novo, de transformação.  Chadwick ajudou a transformar o vinho chileno.

 

 

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