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Archive for fevereiro \23\UTC 2015

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O consumidor brasileiro de vinhos amadureceu. Até outro dia, bebia de mal a medianamente. Hoje, a oferta para ele é gigantesca. E as opções de qualidade se expandiram enormemente. A curiosidade de quem bebe vinho leva a caminhos variados. Pula-se de “vinho bom é o francês” para “os chilenos não devem nada ao primeiro mundo”. Contudo, entre “vinho brasileiro não presta” e “vinho francês bom é muito caro”, o consumidor pode ter surpresas e destruir mitos.

Sim, muitos chilenos não devem nada para o primeiro mundo. Mas hoje há chilenos caríssimos também. Não, nem todo vinho brasileiro é ruim. A média melhorou muito. Há alguns fantásticos. E, finalmente, nos últimos anos alguns produtores importantes da França descobriram o Brasil. Uma grande quantidade de rótulos chega aqui por preços bem competitivos.

Alguns não dispõem de intermediários. Um membro do clã Rothschild, por exemplo, mudou-se de mala e cuia para São Paulo. Philippe de Nicolay Rothschild montou sua importadora, a PNR, e trouxe vários rótulos da família, de seu ícone Lafite até alguns blends abaixo de R$ 100, passando por seus ótimos champagne. Claro que os mais caros são muito caros. O Carruades de Lafite, o segundo vinho da Maison Lafite, por exemplo, sai por mais de R$ 2 mil a garrafa. Nem pergunte o preço do Chateaux Lafite. Mas, ainda assim, por não precisar de atravessadores, os vinhos estão chegando, em média, entre 10% a 20% mais em conta do que custariam.

Fugir de atravessadores, negociants, courtiers e importadores gananciosos vai baixar um pouco o preço. Mas também é claro que a sanha tributária brasileira não facilita.

Há quem aposte na compra en primeur, ou seja, negocia parte da produção assim que ela fica pronta, antes de passar pelo estágio de amadurecimento e afinamento que precede sua comercialização. E também antes de aparecerem as notas dos críticos e especialistas. Como comprar en primeur sempre representa um risco, o preço da safra é mais em conta.

A Castel Studio abriu escritórios no Brasil para vender os rótulos de grandes maisons. Ela negocia esses vinhos en primeur e mantém a maior parte de seu estoque principal em Bordeaux. Ou, no caso de uma encomenda, a garrafa sai direto do chateaux para  a casa do comprador. O transporte é feito por avião. Com isso, ela afirma conseguir, para rótulos de altíssima gama, preços de 30% a 60% abaixo do mercado. Presente em São Paulo e Porto Alegre, traz estrelas como Château Palmer, Château Margaux, Haut Brion e o Château Angelus. Uma parceria especial com o Château Angelus ainda garante a exclusividade na venda de certos rótulos da vinícola.

Por toda a América, apenas a Castel Studio tem o direito de vender o  N3 D’Angelus, vinho produzido com as mesmas uvas (blend de merlot, cabernet franc e cabernet sauvignon) e as mesmas barricas do Château Angelus, um vinho leve, com taninos delicados, fresco, toque de frutas negras e especiarias (por R$ 355,  uma fração do preço de seu primeiro vinho). A Castel Studio concentra seu catálogo também em vinhos de alta qualidade, em uma faixa de preço mais acessível.

Na América Latina, tem a representação exclusiva do Château Silver Bell (propriedade comprada recentemente pelo enólogo Hubert de Bouard, dono do Château Angelus). A safra 2009 é uma surpresa. Frutado e jovem, o vinho traz potência e elegância. Resta acompanhar sua evolução nas próximas safras sob a nova batuta.

O Château Lanessan, do Haut-Médoc, safra 2010, pede a guarda de mais alguns anos. Assim como o Silver Bell, custa R$ 179. Preço de muito vinho do novo mundo de menor qualidade.

Mas é ótimo saber que o Chateau Gloria 2010, um dos meus preferidos (um delicioso corte de cabernet sauvignon, merlot, cabernet franc e petit verdot), da comuna de Saint-Julien, no Médoc, de taninos suaves e muita fruta madura escura, como cassis e kirsch, e que levou  93 pontos de Robert Parker, custa aqui R$ 299!

Castel Studio

www.castelstudio.com

Philippe de Nicolay Rothschild

www.pnrimport.com.br

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Ela, pele branca, tatuagem bonita, sapato baixinho de design, camiseta com estampa I love LA, cabelo curto e com sotaque mineiro belo horizontino classe média alta. Ele, magro, hirsuto sem ser lumber jack, óculos de aro grosso, camisa xadrez, bermudas, quase um hipster. Sentados na espera da sessão de cinema em plena temporada pré-oscar. No papo, unilateral, a moça explica que não come pão de queijo em São Paulo. Aqui é muita farinha e pouco queijo. Concordo. Mas logo o assunto muda para a revista Piauí. “Uma revista da Abril, que não é feita por jornalistas, sabe? São autores. Autores que escrevem. E não tem notícias, tem assuntos. Tipo bastidores.” Achei curioso.

Neste momento, num pequeno silêncio desconcertado, ela relê: “bastidores… O que será esta palavra?” Confesso não ter entendido a dúvida. Pensei em etimologia, filosofia. Algo realmente profundo. Uma dúvida real. Afinal a palavra é realmente diferente. Viria do latim? Do grego? Ou do francês? Mas a dúvida durou pouco. E não foi o rapaz a lhe dar a resposta. Ele se contentou com a mudez e uma certa expressão vazia que quem é menos inteligente do que tenta aparentar. A solução veio pronta do smartphone, via google. “Backstage! Ah!…”

Entre atônito e perplexo (adoro esta expressão) percebi que aquelas pessoas bem alimentadas e leitoras da Piauí simplesmente não conheciam a palavra “bastidor” e precisavam do auxílio de uma palavrinha inglesa provavelmente mais comum no mundo deles de festas, shows, baladas.

Provavelmente são pessoas que também não saibam a diferença entre municipal, estadual e federal. Ou ainda executivo, judiciário e legislativo. Desanimado resolvi pedir uma cerveja. Mas só tinha da ambev. Fui de água. Coisa fina.

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