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Archive for novembro \05\UTC 2015

Moutard cuvée des 6 cépages

Moutard cuvée des 6 cépages

Champagne é champagne. O resto é espumante. Canso de ouvir isto de quem sabe e de quem não sabe a diferença. Há quem saiba bem na teoria. Mas na prática já vi muita gente se confundir. Basta uma degustação as cegas para o sujeito se atrapalhar. Até porque, as casas produtores de Champagne prezam por manter estilos demarcados. Portanto não existe UM Champagne, mas vários. Um Veuve Cliquot, cheio de aromas de brioches é bem diferente de um Taittinger de aromas frutados e com grande acidez. Assim como a complexidade de Dom Pérignon contrasta com certa ligeireza de Mumm. Claro que tudo isto são generalizações. Mas com um fundo de verdade.

A esmagadora maioria dos champagnes é produzida hoje com uma, duas ou todas destas tres castas: pinot noir, chardonnay e pinot meunier.  Mas outras cepas existiam na região e quem as tem plantadas ainda pode usar. Mas é proibida a plantação em novas áreas. Coisas de burocracia.

Por isso não poderia recusar o gentil convite para participar de uma degustação vertical de um champagne  que usa seis castas autorizadas na região: Moutard Cuvée dês 6 Cépages nas safras 2004, 2006 e 2007.

As cepas usadas são Arbane, Petit Meslier, Pinot Blanc, Chardonnay, Pinot Noir e Pinot Meunier. Cada variedade foi vinificada separadamente em barris de carvalho e depois foi feito o blend.

Dá pra notar

A safra 2004 era uma garrafa magnum ( 1,5 litros). Curiosamente era a mais conservada, tanto na cor quanto nas características organolépticas.

Moutard cuvée des 6 cépages 2007

Moutard cuvée des 6 cépages 2007

Moutard Cuvée dês 6 Cépages 2007 

O dourada, com bastante borbulha de ótimo tamanho
N boa intensidade aromática, com as notas tostado, frutas secas e um leve cítrico.
B acidez e cremosidade. boca viva e  ótima estrutura e boa persistência.
Obs. a mais evoluída das 3.
Pts 90
Moutard cuvée des 6 cépages 2006

Moutard cuvée des 6 cépages 2006

Moutard Cuvée dês 6 Cépages 2006

O dourada, com ótima perlage.
N boa intensidade aromática, nuts e levedura, frutas secas e um leve cítrico.
B acidez e cremosidade. boca viva e  ótima estrutura e boa persistência.
Obs. muito elegante.
Pts 91
Moutard cuvée des 6 cépages 2004

Moutard cuvée des 6 cépages 2004

Moutard Cuvée dês 6 Cépages 2004 ( Magnum) 

O cor palha, reflexos esverdeados. claramente mais “jovem”. Perlage perfeita.
N boa intensidade aromática, cítrico, maça madura, pão tórridas creme de leite, nuts e complexidade incrível.
B acidez e cremosidade prefeitas, boca viva e ótima estrutura, elegante e boa persistência.
Obs. as garrafas magnum tem a fama justificada de conservar melhor a evolução do vinho.
Pts 93
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Degustação Ventisquero

Degustação Ventisquero

Criada em 1998 e comandada por uma equipe enológica jovem e talentosa, a chilena Viña Ventisquero tem se destacado pela criatividade agressiva de seus rótulos. A cara e “o” cara da Ventisqueiro é Felipe Tosso, um bem-humorado líder de equipe que, com simpatia e humildade, vem perpetrando ano após ano vinhos cada vez mais interessantes.

Pude provar recentemente 15 rótulos que só confirmam minha admiração.

Aqui vão minhas notas para alguns dos vinhos (*):

Queulat Sauvignon Blanc 2014
Leyda, Viñedo Las Terrazas
O Palha, reflexos amarelos.
N Leve cítrico, mato verde.
B Bem cítrico, bem seco, vegetal. Acidez alta, ótima estrutura.
Obs: solo argiloso de Casablanca.
Pts 90
Grey GCM 2014
Apalta
50% garnacha, 30% cariñeña, 20% mataro (monastrell ou mourvedre).
O Rubi com muitas lágrimas e borda translúcida.
N Fruta e chá.
B Frutado, especiado, longo e elegante.
Obs: solo diferente do resto de Apalta, com pedra e argila. Vinhedos de 10 anos.
Pts 91
Enclave 2011
Pique, Alto Maipo.
86% cabernet sauvignon, 7% petit verdot, 5% carmenere, 2% cabernet franc.
O Vermelho medianamente denso, borda rubi.
N Tabaco, chocolate, couro, tostado.
B Acidez elevada, muita fruta, boca viva e  ótima estrutura.
Obs: feito em parceria com o australiano John Duval, 50% do vinho usa leveduras naturais e passa por 22 meses em barrica de várias idades.
Pts 90
Tara Branco 2013
Vale de Huasco, Deserto de Atacama
100% chardonnay.
O Amarelo turvo quase marfim.
N Leve cítrico, fruta exótica.
B Untuoso, rico, suculento, bem cítrico, bem seco, vegetal. Acidez alta, ótima estrutura.
Obs: do clima extremo do deserto, num solo extremamente salino e com uma camada de apenas 10cm de argila, a uva se esforça entre a neblina matinal, o vento da tarde que enverga as parreiras e o frio da noite para produzir heróicos 300 ou 400 g de fruta por pé. O vinho passou dois anos em barrica de seis anos de uso. Nada de leveduras selecionadas e sem filtragem. Um vinho mágico.
Pts 91
Heru 2013
Casablanca, Viñedo Tapihue,
100% pinot noir
O Rubi translúcido.
N Morango.
B Corpo médio, acidez ótima, muita fruta. Agradabilíssimo.
Obs: solo de Casablanca com muita pedra.
Pts 93
(*)
= olho, aspecto visual.
= nariz, aspecto aromático.
= boca, paladar.

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Espumante Salton Paradoxo, um charmat da Campanha Gaúcha.

Espumante Salton Paradoxo, um charmat da Campanha Gaúcha.

A Vinícola Salton completa 105 anos. Não muitos se comparados aos de alguns produtores do velho mundo, mas uma marca e tanto quando se pensa em uma história brasileira de adversidades. Junto com Miolo, Valduga e Aurora, a Salton representa a herança dos primeiros colonos italianos a se estabelecerem na Serra Gaúcha.

Seu início com o “conhaque” Presidente e depois com a popular linha Chalise foi turbinado pela força do rádio. Presidente patrocinou o futebol da Bandeirantes por anos a fio. E os engraçadíssimos jingles de Chalise devem ter conquistado fãs pelo Brasil todo.

A produção de vinhos iniciou-se ainda nos anos 1930. E desde os anos 1990 a empresa familiar vem guinando incansavelmente e com sucesso para a seara dos vinhos finos. A participação do conhaque Presidente ainda rende, pasmem, 30% do faturamento. O Chalise recolhe-se para seus 10%. Mas a linha de espumantes, aposta que começou mais seriamente nos anos 2000, já chega a 35%.

Hoje a empresa é comandada por uma nova geração que inclui as irmãs Luciana, Estela e Julia. A busca de inovação, respeitando os valores do passado familiar, é evidente em todos os produtos da Salton.

Seus vinhos de mais alta gama, da série Gerações, são homenagens a antepassados queridos, historicamente envolvidos com o crescimento da empresa.

O Salton Gerações Antonio “Nini” Salton (R$ 120) é um corte de cabernet sauvignon, merlot, cabernet franc e malbec repleto de especiarias, frutas vermelhas, chocolate, tabaco, mentol e um leve tostado. Passa 12 meses em barricas francesas novas e tem persistência e elegância dignos de homenagear o primeiro enólogo da casa. Foram produzida apenas 13.000 unidades.

O Salton Lucia Canei Espumante Rosé  Brut (R$ 130) feito de pinot noir é o tributo à “nonna”. São 5.000 garrafas de um espumante produzido pelo método tradicional com ótima acidez, um toque de frutas cítricas, outro tanto de frutas vermelhas, miolo de pão, tostados. Boa perlage e bom corpo.

A grande novidade da Salton vem, porém, da região da Campanha Gaúcha, fronteira com o Uruguai. Sua linha Paradoxo tem uma proposta ousada. Será encontrada apenas em restaurantes pelo preço sugerido de R$ 60, o que fará dela uma excelente opção nestes tempos bicudos.

Destaco seu Gewürztraminer 2014, um vinho macio, cremoso, especiado e com acidez delicada. Cor amarelo-palha e notas florais, muita lichia. Um vinho sem passagem por barricas e muito fácil de beber.

O Salton Paradoxo Pinot Noir 2014 também surpreende pela leveza, boa acidez. O sabor frutado (framboesa, morango, amoras) lembra vagamente a uva gamay, usado em Beaujolais. Um vinho versátil que pode ser bebido de maneira descompromissada ou acompanhar alguma refeição leve. Uma relação de preço e qualidade rara num pinot noir.

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