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Archive for novembro \02\UTC 2016

 

Quando conheci Lulina, uma menina pernambucana genial (apresentada por Rodrigo Leão, na então W/Brazil) que já havia gravado uma dezena de cds caseiros absurdamente lindos, com capas maravilhosas e tiragens de 13 exemplares ( sim, eu tenho todos ! e vou ficar rico um dia quando vendê-los) descobri que “no pacote” vinha uma turma. Gente brilhante como Missionário José, baixista, produtor e arranjador, doutor em música eletrônica ( se não era, virou) e um rapaz meio tímido, de óculos e olhos arregalados, tecladista “mais ou menos” que parecia ser um bom fotógrafo.

A intimidade e a cumplicidade entre Lulina e o rapaz permitiam que ela o chamasse de Monstro. Sim. Leo Monstro.  Mas de monstro não havia muito. Sensível e de humor extremamente sofisticado, Leo tocou nos dois cds que Lulina lançou pela ybmusic. Tenho que deixar claro que Lulina é uma musa, um amor de pessoa, que vive no mundo sem estar no mundo. Ela flana. Sorri e toma uns drinks comigo de vez em quando. Um turbilhão de ideias geniais por minuto. É um dos gênios anônimos do Brasil. Um Santos Dumont das ideias. Engana-se quem pensa que ela é uma mera artista indie brazuca. Mas voltemos ao Leo.

Outro dia, neste 2016 louco em que (sobre)vivemos, encontrei Leo, que me contou que estava com um disco pronto. Tarado que sou por sons novos e inteligentes, pedi para ouvir. E com o perdão da  palavra… VTNC…

Que disco. Monstro! Que maturidade. Um disco que passeia do pop indie à música nordestina, saboreando sem culpa o melhor dos anos 60 e do eletrônico dos 2000. Sem pudor de colocar viola caipira com sintetizador, como nos velhos malucos discos brasileiros hippies dos anos 70. A voz suave e precisa. E as letras? Sabedoria milenar e contemporaneidade.  Leo honra seu avô, parceiro de Luiz Gonzaga em alguns clássicos.

Ele tinha pressa em lançar. Alguma efeméride familiar o empurrava. Mas a sábia Lulina o aconselhou a me ouvir e eu fui definitivo. “Este disco tem que sair em 2017”. Para minha surpresa ele concordou. Aqui a gente pode escutar um aperitivo bem de leve. Um single. Vocês terão que esperar. O disco é uma delícia. Arranjos de metais econômicos, batidas minimalistas e criativas ( paradoxo…), teclados simples e diretos emolduram canções dignas de figurar no panteão (que palavra feia!) da música brasileira.

Leo, saiba que você é monstro.

 

 

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