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Archive for junho \11\UTC 2017

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Tenho uma tese sobre a música popular brasileira. Na verdade nem é minha. Li em algum lugar no século passado, não lembro onde, e encampei. Temos três matrizes. Pixinguinha, Caymmi e Luiz Gonzaga. De Pixinguinha vem toda uma vertente de samba, choro, música instrumental refinada e pagode popular. Sem ele não haveria Zeca Pagodinho. De Caymmi saiu a linhagem de Tom Jobim, das canções sofisticadas, a bossa nova, da sabedoria zen, nagô, praieira, da concisão. Rodrigo Campos é, hoje, meu modelo caymmiano. Mas foi de Luiz Gonzaga que vieram o tropicalismo, a mistura, a conexão entre a mais profunda raiz rural com o universalismo urbano, com o wifi. Tem funk, forró, festa, ragga. Sua música tem sofisticação melódica e alta força poética, lírica e épica, sem deixar a energia esfriar. Gilberto Gil seria sua síntese continuadora. Mas nem MC Bin Laden nem Hermeto Pascoal estão fora dessa jurisdição. Luiz Gonzaga inventou um som, um estilo, soube explorar o visual, o chapéu de couro. A voz potente e de timbre rico. Um artista pop. Um catalizador. Um Bob Marley, um Chuck Berry brasileiro. E com a sabedoria de ter escolhido letristas parceiros impecáveis. Muita gente nem sabe da importância de Humberto Teixeira, Zé Dantas, entre outros.

Claro que essas três matrizes se misturam, se entrelaçam, se guerreiam. Mas isso é assunto pra papo longo. Sempre que posso volto ao mestre. Desde criança convivo com sua música. Meu pai, branco paulistano, descendente de italianos, mais até do que a família baiana de minha mãe, me transmitiu o amor por estas canções. Claro que foi algo filtrado por sua experiência de ouvinte de rádio, comprador de disco. Não sou um gonzaguiano roots, de forró pé de serra. Mas ninguém é perfeito.

Em 1999, produzimos, na ybmusic, em parceria com a Candeeiro Records, um álbum chamado Baião de Viramundo, lembrando  dez anos da morte de Luiz Gonzaga, viabilizando uma ideia de Pupilo, baterista do Nação Zumbi. Era uma visão bem pouco ortodoxa da obra de Lua. Versões cheias de beats, samples e guitarras distorcidas permeavam cada faixa. Nação Zumbi, Otto em início de carreira, bandas como Comadre Florzinha e Mestre Ambrosio, berços de Karina Buhr e Siba, respectivamente, Naná Vasconcelos, Nouvelle Cuisine renderam suas homenagens ao mestre. Esse disco correu mundo. Entrou em lista de melhores do New York Times. Infelizmente não está nos serviços de streaming legais acessíveis no Brasil por questões menores (resolvidas, espero, em breve).

Em 2012, fiz a direção musical do espetáculo Danado de Bom, no Auditório Ibirapuera, gravado e lançado pelo Canal Brasil, com cerca de 30 artistas desta cena paulistana então embrionária, incluindo Tulipa, Blubel, Kiko Dinucci, entre outros.

No final de 2017, em 13 de dezembro, Luiz Gonzaga, o Lua,  faria 105 anos. Mas cá estou de novo escutando sua obra, imerso neste universo, me preparando para um show muito especial.

Dia 14 de junho, na Casa de Francisca, estarei acompanhando Laya no show Laya Canta Lua. Laya, junto com os queridos e talentosíssimos Saulo Duarte, Alessandra Leão e Romulo Froes, acompanhada por Igor Caracas (percussão), Danilo Penteado (sanfona, piano, cavaquinho) e Guilherme Kafé (baixo e violão barítono) escolheu um repertório que inclui o relicário básico (Asa Branca, Qui Nem Giló, Parahiba, Baião, etc) assim como pérolas (como Facilita,  Roendo Unha, Sabiá, etc) e trouxe uma visão de artista que viveu esta música organicamente desde a infância, passou por outras paragens contemporâneas e guardou os sabores, cheiros e sons de sua origem. O resultado é, como nas outras vezes em que me envolvi com a música de Gonzaga, um encontro e uma busca. A síntese da origem, a experiência e o futuro. Coisa que só um mestre radical como Luiz Gonzaga pode gerar. Salve o grande Lua!

Reservas aqui.

 

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Uma das coisas mais divertidas da Expovinis tem sido o Blog Winehunters, organizado por Cesar Adames. É uma corrida para indicar um vinho preferido dentro de um limite de preço mais acessível. Nesta edição o limite era de R$70. 

Os vinhos indicados pelo grupo de blogueiros são degustados às cegas, as notas computadas e um vencedor é indicado por categoria. 

Aqui estão todos os concorrentes garimpados:


O branco vencedor foi o chileno Amaral sauvignon blanc 2016 que custa R$70 (Bruck). Um vinho fresco com aroma delicado. 


O tinto vencedor – para meu deleite foi a indicação minha- é o Torre de Estremoz 2015, um belo corte de trincadeira, alicante bouschet, touriga nacional e aragonez (R$61,50) trazido pela Adega Alentejana. Aroma rico e complexo, na boca traz personalidade e tipicidade da região. 


Destaco aqui um branco que, na prova às cegas, gostei muito. Este douro aromático e rico em sabores. Indico com tranquilidade. 

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