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Masterclass é um termo algo desgastado entre aqueles que acompanham os movimentos do vinho no Brasil. Toda semana, parece que há uma nova dessas sessões sobre um assunto qualquer. Nem sempre foi assim. Lembro-me de umas das primeiras a que assisti e que, sim, fizeram a diferença sobre como aprecio e entendo os vinhos. Foi a primeira vez em que Pedro Parra, o geólogo chileno especialista em terroir, apresentou-se por estas bandas. Ele abriu meus horizontes no quesito importância do solo para o vinho. Vieram outras masterclasses. Algumas bem interessantes, outras mais ou menos.
Recentemente, contudo, o termo adquiriu um novo vigor. A Wines Of Argentina proporcionou mais que uma degustação, um verdadeiro aprofundamento no pensamento atual da enologia do novo mundo. Ouvir Alejandro Vigil falar de suas descobertas, Daniel Pi descrever vinhos premiados e Sebastian Zuccardi mostrar seu entusiasmo com o futuro dos vinhos argentinos foi uma oportunidade rica e prazerosa.
É ótimo saber que o gradiente de temperatura de Gaultallary é semelhante ao da Borgonha, puxando mais para o frio. Que Agrello lembra mais Bordeaux e Napa em seu clima temperado. E que Lulunta emula a Côte du Rhône, mais quente.
Alejandro Vigil comentou sobre as 2 mil microvinificações-teste em andamento na Catena e explorou as possibilidades de chardonnay e cabernet franc. Deixou claro que a Argentina ainda tem muito tempo de malbec pela frente, mas não deve se ater somente a esta cepa. O momento é de descobrir mais a geografia e outros fatores. Dado positivo, outros winemakers pensam igual. Há muito o que fazer.
Nesta busca, elegeram a altitude, entusiasmados com o gradiente de temperatura, mas descobriram que a insolação UV é um fator mais importante. A combinação de temperatura X solo X altitude X rendimento cria possibilidades ótimas para a chardonnay, por exemplo.
Para provar suas teses, Vigil mostrou três brancos de três alturas distintas que usam a mesma vinificação e a mesma madeira. Mudam apenas as datas de colheita, em busca de um grau alcoólico máximo de 13,5%. Ainda não engarrafados, foram trazidos especialmente para a ocasião. O primeiro, de solo calcáreo cultivado a 1.450m, é mineral, seco, fresco e com cara de limonada. Tem um leve floral. O segundo, de solo pedregoso a 1.100m, sofre stress hídrico e é mais gordo. O terceiro vem de solo argiloso profundo, a 800m. Tem mais tostado, é mais amargo e pesado, com aroma frutado.
Completou a demonstração com quatro cabernet franc 2010 que trouxe de gualtallary (1500m) de solos diferentes, mas muito próximos (60m de distância). Todos foram vinificados em barris novos e colocados seis meses em fudres velhos.

A diversidade do terreno se mostrou assim:
Vinho 1. De solo argiloso profundo e boa umidade. Tem aroma de fruta, pimenta (piracina), na boca taninos  firmes, acidez clara e agradável.
O segundo, de terreno com pedras aluvionais e calcáreo, tem nariz mineral e na boca muita fruta, taninos macios e acidez ok.
O terceiro, de solo pouco profundo, com apenas  25 cm (uma capa de pedra impede a raiz de passar), apresenta nariz de chocolate, floral, rico, parece ter mais madeira e lembra algo do loire. A boca traz  tanino doce, acidez ok.
O quarto, de solo calcáreo, exibia café no aroma. Na boca é sápido e de boa acidez, com corpo médio.Foi uma aula de diversidade. Vinhos tão diferentes, feitos com a mesma uva, da mesma maneira e de vinhedos tão próximos, comportam-se diferentemente e com altíssimo nível.

Sebastian Zuccardi, por sua vez, tratou com autoridade do tema da latitude. Ele defende que os argentinos são vinhos de montanha, pois clima, solo e água dependem da cordilheira. Mendoza é um deserto em altura. Pouca água e muita luz. Dos terroirs de Mendoza, só 3% são cultiváveis, pois falta água. Sebastian trouxe bonardas e malbecs de várias regiões para demonstrar as diferenças de latitude. Esses vinhos não vão para o mercado da forma como os provamos. São usados em cortes da Zuccardi. Portanto, uma oportunidade única de comparar as regiões de Mendoza.
Partindo de vinificações iguais, em tanques de cimento sem revestimento de epoxi (safra 2013), usando  boa parte das uvas com razimos inteiros pra trazer taninos, Sebastian empregou apenas barrica de terceiro e quarto usos. Seu desafio, sabiamente, é diminuir dulçor.  Aqui, bem resumidamente, descrevo as diferenças.
Bonardas
Santa Rosa.  650m, solo mais profundo, sem pedras, 13,5% de álcool. No nariz mais fruta, na boca sobressai o álcool e o tanino é potente.
Altamira. 1.100m, solos aluvionais, muitas pedras com carbonato de cálcio, 13% de álcool. Nariz tem tostado e na boca, bom corpo e fruta potente
San Jose. 1.400m, solo aluvional, pedras menores, sem carbonato, 12,5% de álcool. Nariz elegante e palato com boa acidez, fruta e leveza
Malbec
La Consulta 2013. 900m. Cor intensa, nariz elegante, complexo, floral, mineral, frutas negras. Macio na boca, taninos doces, acidez ótima, corpo médio, persistente, muito potencial.
Vista Flores 2013. 1.100m. De terreno pedregoso. Cor intensa. Aroma floral, de fruta negra, mineral, especiaria, rosa e no palato é macio, com tanino doce, ótima acidez, equilibrado e longo.
Altamira 2013. Sul do vale de Uco, num terreno com muito carbonato. Nariz potente e rico, tanino macio, doce e bom corpo.
Gualtallary 2013. Norte de Uco, região também com muito carbonato. Sebastian exibiu fotos onde se vê que a raiz da videira abraça  a pedra de uma forma interessante. Aromas de tomate, taninos doces, acidez limpa e agradável, clara, corpo leve, fresco e mais curto que os outros.
Em um próximo post, comento a degustação dos vinhos do Argentina Premium Tasting.

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O Chile é um dos dois países sul-americanos que não têm fronteira com o Brasil. Nem por isso deixa de ser a origem de uma parcela enorme dos vinhos que bebemos por aqui. Na verdade, exporta quase o dobro do segundo player, a Argentina. No primeiro semestre de 2014, registrou 48% de participação em volume e 40% em valor.

A tradição vitivinícola chilena é centenária e diversa. Iniciada pelos conquistadores espanhóis, mais tarde ganhou enorme influência francesa. Na fase heróica da expansão internacional do vinho chileno, a cabernet sauvignon foi a estrela. Seus vinhos potentes, frutados, com muita madeira e toque de pimentão, marcaram época. Depois veio a descoberta da carmenère e a tentativa de tranformá-la, através de estratégia de marketing, na sua casta-ícone, como a malbec na Argentina. Mas temos visto ultimamente que o Chile é muito mais do que isso.

A Wines of Chile, que há alguns anos organiza um encontro com palestras e degustações no Brasil, trouxe para esta edição 2014 o sommelier chileno Héctor Riquelme, que conduziu a masterclass “Os Extremos do Chile”.

Foram dez vinhos apresentados no painel. Todos oriundos de fora dos tradicionais vales da região mais central do país. Alguns praticamente no deserto de Atacama, ao norte, como o Tara Red Wine 1 Pinot Noir 2012, produzido no vale de Huasco pelo grupo Ventisquero. Outros, no extremo sul, em regiões frias e chuvosas, como o Lago Ranco Sauvignon Blanc 2013, da Casa Silva, provavelmente o vinho mais austral já produzido em escala comercial, diz o enólogo Mario Geisse.

A masterclass comprovou a incrível variedade geográfica, cobrindo mais de 1000 km de norte a sul, e trouxe grandes surpresas. Uma delas foi a presença de cinco vinhos do vale de Itata, ao sul. Esta região, palco de séculos de guerra entre os conquistadores europeus e os nativos mapuche, cultiva a videira há 500 anos. Sem um histórico de vinhos de grande qualidade, vem sendo, porém, redescoberta pelos especialistas.

São de lá, por exemplo, o Outer Limits Old Roots Cinsault 2013 da Viña Montes, um vinho opulento e saboroso. Aqui, a Cinsault tem um toque de 15% de mourvédre para encorpar. Apesar do corte típico do sul da França, este Outer Limits tem um caráter totalmente distinto. Nada do sol mediterrânico. Tem o calor e a intimidade das lareiras.

A gigante vinícola São Pedro fez em Itata uma experiência radical. Produziu apenas 300 garrafas de um vinho da uva país, uma cepa crioula, típica do Chile. O resultado é algo selvagem, com taninos de certa rusticidade. Mas de boa acidez, frutado, longo. Interessante e provavelmente grande companhia para um cozido de carnes típico da região.

A ótima De Martino trouxe o Gallardía del Itata Cinsault 2013. A curiosidade é a boa acidez, não muito típica desta uva, resultante do clima chuvoso e da colheita antecipada. Encontramos um vinho agradável, fácil, elegante e leve. Os taninos são finos e a nota carbônica dá uma vivacidade surpreendente. Um vinho nervoso, mas facílimo de beber.

Mais por curiosidade, vale citar El Insolente Carignan 2010 da Rogue Vine, um vinho de garagem, sem aditivos e com leveduras nativas. São 807 garrafas vinificadas de uvas carignan oriundas de um vinhedo de 60 anos. No nariz, lembrou um francês com fruta madura e toque mineral. Na boca me trouxe à memória alguns vinhos do norte da Espanha. Vinhos com tensão, acidez, tanino potente, com especiarias, fresco e levemente adocicado.

E para fechar temos o Los Patricios Chardonnay 2010, da Pandolfi Price. Esta jovem bodega tem a consultoria de François Massoc, dos premiados vinhos Aristos e Clos de Fou. Los Patricios é um chardonnay feito com leveduras selvagens, proveniente de um solo vulcânico assentado sobre materiais argilosos glaciais. Tem um aroma interessantíssimo, complexo, frutado e mineral. Um pouco de flores brancas também se mostra aqui. No palato é vivo, profundo, elegante e persistente. Um toque cremoso e a boa acidez apontam para futuro de guarda promissor. Muito diferente dos chardonnays típicos do novo mundo. Tem um caráter próprio. Sem a pretensão de ser um Borgonha.

Ao final de uma degustação como esta, com dez taças na frente, é normal voltar a provar cada vinho para checar a evolução no copo. Em nove entre dez provas, o aroma dos restos de copo dos tintos traz um toque de café, caramelo ou algum tostado. Em geral, proveniente de uso de madeira. Não é defeito. É um sinal. E às vezes até bem agradável. Mas muito comum.

Chamou-me a atenção que neste painel nenhuma taça evoluiu para estas características. Prova do pouco ou quase nulo uso de barricas para corrigir, mascarar ou empetecar os vinhos. Os que declaram o uso mencionam apenas barricas de terceiro e até quinto usos. Isto é, que não aportam mais aquelas características de baunilha, café, chocolate, etc., típicas de carvalho novo.

São vinhos sinceros. Retratos do terreno e do clima. Sem imitações ou busca de agradar um consumidor imaginário.

Esta é a marca deste outro Chile que está sendo descoberto e que encanta.

E aqui uma amostra de um outro Chile musical. O clipe, road movie da canção“Lo Que Quieras” do Duo Denver mostra várias das paisagens produtoras de vinho. Aviso aos mais sensíveis: tem um pouco de violência.

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daniel tagliari

A primeira semana do ano sempre tem uma certa cara de “ainda não começou pra valer”. É época de organizar o guarda-roupa, pagar um monte de contas e fazer as tais resoluções de ano-novo. Da dieta mais leve à volta para a academia, do planejamento financeiro à consciência ecológica e sustentabilidade, construímos um mundo de esperança baseados apenas em listas de desejos.

A idade ensina a ser menos pretensioso nessas horas. Uma dica de desejo possível? O que todo bom bebedor deveria colocar no topo da lista é uma vida sem ressacas! Há quem acredite que elas são ritos de passagem de nossa cultura. Dores necessárias ao crescimento e ao aprendizado. Se assim for, ponto para a ressaca. Bem mais suaves do que ferroadas de formiga nas partes íntimas e muito menos cruéis do que circuncisão e efibulação, sem anestesia!

Mas como evitá-la? O óbvio e chato é dizer que quem não quer ressaca não deve beber. Ora! Lembro de um conselho de um humorista (Millôr?) para que a cama ficasse sempre fresca no verão: “Durma no sofá”. Valeu, obrigado. Gosto de beber e gosto da minha cama…

A ressaca é um inimigo sempre à espreita e, para vencê-lo, precisamos conhecê-lo. O que vem a ser este fantasma que nos deixa tão derrubados? Antes de mais nada, é preciso saber que não adianta dizer, em desespero: “Eu vou morrer.” Ninguém morre de ressaca. Ao menos, não de “uma” ressaca. Ela, na verdade, é um aviso de que você está bem vivo e fez algo muito errado na noite anterior. Em termos técnicos claros, é um conjunto de sintomas fruto de desidratação, stress e envenenamento. Sabendo disso, já dá pra começar nossa estratégia.

1. Hidratação

Você já ouviu falar em beber água entre um copo e outro de álcool. Não é nada difícil. Além de combater a desidratação, esta atitude diminui a velocidade de absorção do álcool. Melhor do que acordar e sentir que sua cabeça vai explodir é perceber que sua bexiga vai estourar e que basta correr ao mictório.

2. Moderação e discernimento

Quem bebe já cansou de escutar que não deve misturar fermentados e destilados. Errado. O problema não é a mistura e sim o fato de normalmente esta ser descontrolada. Um chope com um steinhäger é melhor do que cinco caipirinhas ou um engradado com 24 latas de cerveja. Apesar de adorar destilados e coquetéis, aprendi que são bebidas para uso moderado. Se não quer ressaca, não beba mais do que duas ou três doses (sempre com muita água, é claro). A melhor opção é sempre vinho ou cerveja. Além de a graduação alcoólica destes ser menor, é importante levar em conta que ambos trazem consigo nutrientes, vitaminas, sais minerais, taninos, ácidos, etc. que ajudam seu corpo a enfrentar melhor o inimigo principal: o álcool.

3. Procure a pureza.

Junto com seu destilado, você ganha um pacote de impurezas químicas. Em pequenas quantidades, elas não são tão más assim, e ainda trazem sabores e aromas interessantes. Mas, consumidas em dose maior, ajudam a derrubar o organismo mais bem preparado. Siga a lei da cor: quanto mais escura a bebida destilada (falo aqui de destilados puros e não de coquetéis, amaros e vermutes), maior a chance de aparecimento de conjuntos químicos mais perigosos. A passagem por barricas evapora álcool e água, mas concentra estas impurezas. Numa escala do mais perigoso ao mais puro, eu diria que o caminho vai do bourbon para o brandy, a cachaça amarela, o single malt, o uísque blend, a aquavit, cachaça branquinha e até a mais limpinha de todas, que seria a vodca. E, quanto melhor a vodca, mais pura. Portanto, ao saborear um bom conhaque, seja parcimonioso. Sinta-se um pouco mais seguro se for encarar uma boa vodca.

4. Evite o açúcar.

É simples. Açúcar, assim como o álcool, é diurético. Não precisa desenhar, certo?

5. Hidratação preventiva extra.

Além de beber água, antes de ir para a cama reponha uma dose extra de sais minerais e vitaminas. Seja tomando um isotônico como Gatorade ou, melhor ainda, uma água de coco fresca. O corpo precisa de potássio para enfrentar a batalha noturna que vem pela frente.

6. Pílulas, ora pílulas!

Há quem não abra mão da velha receita dos anos 60: “Um Engov antes e um depois”. Os analgésicos não combatem a ressaca, mas alguns de seus efeitos. Aspirina, ibuprofeno e outros ajudam no combate à dor de cabeça, por exemplo. Mas, melhor do que tomar antes ou depois, é ingerir antes de dormir. Se a dor de cabeça é certa, pra que esperar? Também não precisa tomar antes de beber, pois alguns desses medicamentos causam sono em algumas pessoas.

7. Juízo

A pior ressaca, a mãe de todas as ressacas, é a moral. Evite duas coisas. Nunca, nunquinha, dirija alcoolizado e, nem se um smartphone ou laptop se materializar na sua frente, poste bêbado em redes sociais. Certas coisas não têm conserto.
*publicado originalmente no terra magazine
SÁBADO, 7 DE JANEIRO DE 2012, 08H09 ATUALIZADA ÀS 11H40

Mauricio Tagliari
De São Paulo

e para quem não conhece aqui vai um pouco da ressaca à moda angolana. ATENÇÃO. contém imagens fortes como uma ressaca brava:

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daniel tagliari
O final da primavera, por estas bandas, tem sempre cara de verão. Mas o mês de dezembro deste louco 2011 começou com frio e agora castiga o país com chuva. Por certo, o calor está à espreita e, como ninguém é de ferro, um bom coquetel refrescante parece ser a saída ideal num final de tarde. Para quem gostou dos sete drinks baseados em vinho que apresentei na coluna da semana anterior, aqui vão mais sete. Um para cada dia da semana. Como os anteriores eram menos óbvios, acabei recebendo justas reclamações por email cobrando a receita de alguns clássicos que não podemos deixar de fora. Admito que os leitores têm sua razão. Como diria o locutor esportivo: clássico é clássico e vice-versa!

Dia 1.

Provavelmente o mais famoso coquetel feito com um vinho espumante seja o Kir Royal. Dizem ser uma homenagem a certo Félix Kir, prefeito de Dijon nos tempos da Primeira Grande Guerra. Por sua bela cor e seu sabor delicado, refrescante e nada enjoativo, é um campeão entre as mulheres de bom gosto. Refiro-me ao coquetel, não ao monsieur Kir. Além disso, é muito fácil de preparar. Num copo de champanhe deite 1 cl de creme de cassis e complete, de preferência, com um bom champanhe brut gelado. Na falta deste, um espumante brasileiro de qualidade cai muito bem.

Dia 2.

O French 75 é outra relíquia da França dos tempos da Primeira Guerra. Consta que seu nome homenageia uma peça de artilharia que fez muitos estragos nas tropas do Kaiser. Sua receita parece mais ser uma colaboração entre os aliados ou uma homenagem aos seus combatentes, tendo por base o gim, inglês, e o champanhe, francês. Num copo tulipa, coloque uma dose de gim, meia dose de suco de limão, uma gota de grenadine e complete com champanhe. Para o bebedor experiente, não parece tão ameaçador. Mas não custa tomar cuidado.

Dia 3. Outro clássico que havia ficado de fora é o Bellini, um coquetel criado por Giuseppe Cipriani, do Harry’s Bar de Veneza. Assim como o Kir Royal, é um drink básico e simples, que depende, contudo, da qualidade dos ingredientes: suco fresco de pêssego bem maduro num copo tulipa com espumante bem gelado por cima. Dizem que o velho Cipriani torcia o nariz para o uso de champanhe. Preferia um espumante mais fresco e simples. Mais uma vez, um bom espumante nacional dá conta do recado com louvor. E, mais, este drink tem a cara das festas de fim de ano.

Dia 4.

E falando em drink de origens italianas, que tal um Falso Negroni? Quem acompanha a coluna deve saber que o Negroni é um dos meus coquetéis preferidos. No falso, basta substituir o gim pelo espumante brut. Num copo old fashioned cheio de gelo, use 3 cl de de vermute tinto, 3cl de Campari e 3 cl de espumante. Misture delicadamente e decore com uma tira de casca de limão ou laranja. Claro que é uma versão mais fresca e menos alcoólica do drink. Mas não se iluda. Sobe bem rápido.

Dia 5.

Uma receita um pouco mais trabalhosa, mas também muito interessante, é o Ritz. Misture num shaker cheio de gelo 2 cl de suco de laranja, 2 cl de um bom conhaque e 2 cl de Cointreau. Coe tudo num copo tulipa e complete com espumante. Para ficar chique como no famoso hotel de Paris, decore com meia uva itália e uma meia lua de rodela de laranja na borda. Tem um toque cítrico e refrescante. Por não levar açúcar na receita, o doce do suco e do Cointreau se equilibram muito bem com a acidez do espumante e com o corpo do conhaque. Um drink fino. Deixe para um dia mais calmo e meditativo.

Dia 6.

A coisa mais interessante no Prince of Wales é a combinação perfeita de amargo, doce e azedo. Num copo grande de coquetel, misture uma colherinha de açúcar e umas 3 gotas de angostura. Acrescente 2,5 cl de conhaque e 1 cl de Bénédictine. Cubra a mistura com gelo picado e decore com um ou dois pedaços de laranja e uma cereja em conserva. Complete com espumante. Quanto melhor a qualidade dos ingredientes, mais feliz você ficará com o resultado. Parece óbvio dizer isso. Mas, neste caso, em que o segredo está no equilíbrio, a advertência é duplamente justificada.

Dia 7.

Um dos drinks clássicos mais refrescantes e revigorantes, indicado até para certos casos de ressaca, é o Mint Julep. Experimente no final desta maratona, portanto, uma versão Champanhe Julep. Os Julep são originários do sul dos EUA. Citados desde o século XVIII na Virgínia, têm uma etimologia duvidosa. Encontrei fontes que remetem ao árabe julap ou ao persa gulap. Ambos os idiomas se refeririam a um tipo de água aromatizada, uma água de rosas! Até faz sentido, pois o julep é basicamente um líquido aromatizado com alguma menta. Como a palavra fez este trajeto naquela época, eu não tenho ideia. Talvez tenha sido levada pelos escravos arabizados do Mali. Não encontrei, contudo, nada afirmativo neste sentido. Mais interessante ainda é pensar que o sul mais direitista dos EUA, aquele que compra a ideologia antiterrorista e antimuçulmana, tenha em seu drink-símbolo um nome com esta origem…

Mas voltemos ao assunto líquido, que é o que nos interessa aqui. Num copo alto. coloque 4 cl de brandy, uma colherinha de açúcar, folhas de hortelã frescas e esmague com um pilão como se fosse fazer uma caipirinha. Coloque gelo picado até a metade do copo. Complete com champanhe, misture com cuidado para não desperdiçar o gás carbônico e decore com folhas de hortelã.

Não custa reforçar. Sempre que a receita disser champanhe, poderemos e deveremos substituí-la por um espumante brasileiro de qualidade.

Saúde!

publicado originalmente no terra magazine SÁBADO, 17 DE DEZEMBRO DE 2011, 08H54

Mauricio Tagliari
De São Paulo

 

drink and be elegant:

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Andam dizendo por aí que, hoje em dia, só bebo vinho bacana, abandonei os coquetéis e não sou mais o mesmo bom copo de outros tempos. Papo de velhos amigos com saudade da farra e da boemia. Claro que os tempos são outros. Não dá pra não se sentir meio ridículo num sábado à meia noite, após beber duas long necks numa inocente festa de aniversário, ter que atravessar a cidade como um guerrilheiro ou um fujitivo condenado, evitando as blitz da lei seca.

Ninguém discute que não se deve dirigir alcoolizado. Mas o limite zero é uma daquelas leis jaboticabas. Só no Brasil para se criminalizar um copo de vinho ou um chopp. Enfim, respeito a lei. Vou de taxi. Mas defendo que um limite de 0.6 ou outro que contemple uma taça de vinho seria uma lei melhor.

Mas não foi a lei seca que me tirou da rotina de coqueteis. Foram os muitos vinhos maravilhosos que tenho a oportunidade de experimentar. As exigências aumentam. Durante boa parte do ano, para manter a linha, me permito beber basicamente os vinhos em degustações ou em casa, e um ou outro chopp ou cerveja no almoço. Os destilados costumeiros, as alquimias dos amigos barmen, diminuíram sua participação na minha dieta. Uma ou outra caipirinha ou similar no fim de semana, um bissexto single malt noturno e só.

Nada que não me faça admirar um bom drink quando tenho a chance, é claro. Neste calor reinante da estação ando apreciando e colecionando os mais refrescantes. Há mais de um ano, depois de degustar algumas jóias do Hemingway Bar, no Ritz de Paris, da lavra do grande Collin Field, muitas delas baseadas em vinho branco ou Champagne, tenho buscado estes sabores mais leves, sutis e menos alcoólicos.

Sempre, a depender do bolso de cada um, pode-se usar vinhos de uma gama mais alta ou mais baixa. Mister Field usa champagne e cobra 30 euros o coquetel mas voce vai ficar muito feliz se perceber que aquele espumante limitado ou aquele vinho do Porto sem grandes atributos podem se transformar com umas gotas de um destilado aromâtico ou de sabor mais intenso.

Recito a seguir sete dos meus drinks, baseados em vinhos, simples de se preparar e perfeitos para o verão. Um para cada dia da semana.

1. Um dos primeiros que conheci une duas das grandes delícias do mundo etílico. Uma boa cerveja stout e champagne. É o Black Velvet. Num copo longo despeje cuidadosamente para não fazer muita espuma, 150 ml de Guinnes e 150 ml de um bom champagne. Nem preciso reforça que ambos os líquidos devem estar perfeitamente gelados. Numa situação social mais parcimoniosa o drink escuro pode enganar incautos e fazê-los pensar que voce aderiu ao líquido negro do capitalismo!

2. Uma boa mistura, que até onde sei não tem um nome fantasia, é vinho branco e o licor Cointreau. Use uma parte de licor e cinco de vinho branco. Prefira um vinho seco, simples. Misture com uma colher bailarina, num copo com gelo e coe num copo longo. Complete com clube soda e pode decorar com casca de laranja. É um drink leve, aromâtico e muito refrescante.

3. Porto Tônica. Aqui na sua versão branca. Num copo longo, coloque o gelo, uma dose de vinho do Porto branco seco e complete com água tônica. Decore com folhas de hortelã frescas.

4. Austrian Airlines, numa flute, ponha uma dose de vodka, uma colherinha de maraschino e outra de suco de limão. Complete com espumante bem gelado.

5. O mais leve e refrescante de todos é o Spritzer, num copo longo use vinho branco do Reno gelado e club soda também previamente gelada. Mata sua sede melhor do que água.

6. O Spritzer na sua versão italiano transformou-se no Bianco Sporco. Com muitas versões conforme a cidade, é um long drink refrescante e levemente amargo. Uma das versões possíveis seria uma um quarto de dose de Campari ou Aperol e uma dose de vinho branco seco num copo longo cheio de gelo picado. Complete com club soda.

7. Outra variação do tema é , num copo flute cheio de espumante seco ou de prosecco, deitar uma pequena dose de Campari ou Vermute tinto. Apenas para “sujar”.

Aproveitem os próximos dias com estes. Na semana que vem apresento outras das minhas preferências do verão.

*SÁBADO, 10 DE DEZEMBRO DE 2011, 08H04

Mauricio Tagliari
De São Paulo

 

relaxe e beba. a menina dança:

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preciosidade.

Está ficando difícil acompanhar o ritmo do vinho brasileiro. Seja por iniciativas privadas, eventos promovidos por blogs, premiações internacionais ou pelas atividades do Ibravin, uma coluna semanal não é mais suficiente. Por conta disso, deixei passar sem comentários um evento relevante acontecido no dia 23 de setembro, na Dal pizzol, em Bento Gonçalves. Já havia participado, durante a mais recente Expovinis, de uma degustação de vinhos brasileiros de safras antigas, dirigida por José Luiz Pagliari.

Mas em setembro, para um grupo menor, e com a presença dos produtores, pudemos apreciar e constatar a longevidade de certos vinhos da Serra Gaúcha. Quase todos, infelizmente, fora do mercado. Os produtores selecionados foram Dal Pizzol, Dom Laurindo, Pizzato, Maximo Boschi e Cave Geisse. Cada um pôde apresentar dois rótulos. O vinho mais novo era de 2000. Mas havia representantes de 1991, ou seja, mais de vinte anos. Algo impensável em termos de vinho brasileiro até há pouco tempo. Só me resta transcrever minhas notas, sem muita firula, por ordem de degustação, e afirmar: caro leitor e amabilíssima leitora, dá, sim, para guardar vinho tupiniquim!

Abrimos os trabalhos com Dal Pizzol Assemblage. Um ótimo corte das safras de 1995, 1998 e 1999, usando cabernet sauvignon, cabernet franc, merlot e tannat, de 12% de álcool. A maior parte do corte foi de 1995 e a tannat é de 1999. Foram engarrafadas apenas 2 mil garrafas jeroboam (3 litros). Sabe-se que o amadurecimento de um vinho é beneficiado numa garrafa maior e aqui não foi diferente. Cor granada e reflexos atijolados, muito limpo, aroma complexo, muitos terciários, balsâmico, etc. Oxidação no ponto ideal. No palato, corpo médio, boa estrutura, frutas, chocolate, muito elegante, equilibrado e persistente. Taninos polimerizados, portanto macios, sem nenhum amargor. E o mais importante: vivo, muito vivo. Um dos melhores brasileiros que já provei.

O segundo, também da Dal Pizzol, um Merlot 1991. Cor rubi atijolado e límpido, de vinhedos de latada aberta. 11,7% de álcool, sem madeira. Aroma de marmelada, couro e tabaco. Ainda vivo e algo tânico. Corpo médio. O mais antigo da lista e ainda pode seguir mais um tempo.

A Dom Laurindo se apresentou com um Cabernet Sauvignon 1994, 11% de álcool, sem madeira e nem filtragem. Coloração rubi escura, aroma mentolado, floral leve e refrescante. Na boca, fantástica, certa marmelada, bala de laranja, acidez leve e tanino adocicado. Muito elegante. Para fechar seu show, a Dom Laurindo apresentou um Tannat 1996, com 13% de álcool, sem filtragem. Trazia algum depósito em suspensão. Aroma frutado e sabor quente, redondo, com taninos muito macios.

Flávio Pizzato trouxe seu legendário Pizzato Merlot 99, o vinho que virou a cabeça de muita gente e elevou sua vinícola a categoria de boutique. Com 12,5% de álcool, proveniente de vinhedos plantados entre 84 e 88, foi a primeira vinificação da Pizzato. Tem cor vermelho vivo brilhante e aromas terciários, couro, tabaco. No palato é macio e de boa acidez, com toques de laranja, goiabada, bombom de chocolate com frutas e especiarias. Segundo Flávio, partiu-se de uvas excepcionais, de uma grande safra e estagiou apenas 5 meses em barricas de carvalho novo americano. Depois de tamanho acerto na primeira vinificação, a Pizzato, com longo histórico no plantio de vinhedos, tinha de provar que não teve sorte de principiante. E provou, logo no ano seguinte, com o Pizzato Cabernet Sauvignon 2000. Com 12,5% de álcool e 6 meses de barrica nova americana, é vermelho com reflexos atijolados, aroma complexo que mescla café, humus, floresta depois da chuva. Tem corpo médio, elegante, bom equilíbrio e persistência média.

Um surpreendente projeto é o da Maximo Boschi. Eles não participam de nenhum concurso e só produzem em bons anos. Porém, mais do que isso, somente comercializam vinhos devidamente amadurecidos. Portanto, estes são vinhos “encontráveis”. Seu Merlot 2000 com 12,8% de álcool e 8 meses de passagem em barricas de carvalho francês é evoluído, com cor escura, aroma rico, caramelado. Tem corpo médio, elegante, taninos firmes, acidez viva e álcool um pouco presente demais. Um vinho desses por R$ 60 ou R$ 70 é uma pechincha. O Cabernet Sauvignon 2000 é vermelho rubi escuro com uma bela borda translúcida. Na boca, corpo médio, tanino de médio para fino, acidez delicada e persistência média. Na mesma faixa de preço. Uma descoberta.

Esta espetacular degustação encerrou-se com um espumante digno de destaque: Cave Geisse Brut 1998, um vinho selecionado para a ¿Cata Magistral¿ que a Master of Wine Jancis Robinson conduzirá no WineFuture Hong Kong 11, organizado pela Academia do Vinho da Espanha. Fique claro que este é o primeiro vinho brasileiro selecionado para degustação num evento internacional deste porte. Até hoje, o Brasil nem era cogitado nas mais importantes publicações sobre vinhos como tendo alguma região capaz de produzir algo de qualidade. O aval da principal crítica de vinhos da atualidade coloca o Brasil como um produtor de espumantes de padrão internacional. Jancis deu 18,5 pontos, a mais alta nota para um espumante de fora de Champagne.

E não é para menos. Foi um vinho pensado para a virada do milênio e feito com 70% de chardonnay e 30% de pinot noir. Este espumante fez uma fermentação por 180 dias e ainda está na cave em autólise, isto é, em contato com as borras. O degorgement (processo de retirada das borras e enrolhamento definitivo) é feito somente mediante a encomenda pelo site. É um líquido amarelo-dourado com perlage delicada, persistente e excelente. Aromas de mel, tostados, frutas secas, amêndoas e biscoito. Na boca, rica, explode com mel, cítricos, bom corpo, persistência e muita cremosidade. Ainda há 280 garrafas. Pela módica quantia de R$ 600 cada garrafa magnum (1,5 litros).

Foi uma manhã chuvosa e fria. Mas a calorosa recepção de apaixonados produtores e as provas de sua dedicação e trabalho nos deixaram com a alma cheia de esperanças em vida longa para conferir esta evolução. Muito bonito, também, foi ouvir Ademir Brandelli, da Dom Laurindo, no passado enólogo da Dal Pizzol, dizer que, “naquele tempo, não sabíamos metade do que sabemos hoje, plantávamos em latada, não em espaldeira, nem tínhamos barricas de carvalho francês”. E disparar na sequência: “Imagina nossos vinhos feitos hoje daqui a dez, vinte anos!?” Imagino, Ademir. Agora eu imagino. E depois de provar, numa sessão especial em sua cave, aquele 1991, seu primeiro vinho, acompanhado de Pedro Hermeto (Restaurante Aprazível) e Deise Novakoski, imagino e acredito. Longa vida ao vinho brasileiro.

*publicado originalmente no terra magazine SÁBADO, 29 DE OUTUBRO DE 2011, 09H04
** antes da atual polêmica sobre as salvaguardas.

Mauricio Tagliari
De São Paulo

 

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Cervejas da escocesa Brew Dog
Mauricio Tagliari
De São Paulo

“Você provavelmente não sabe muito sobre cerveja. Você não entende de cerveja. Você não sabe o que é uma boa cerveja ou quão verdadeiramente patéticas são as cervejas do mercado de massa. Isto é irônico considerando a quantidade de cerveja que realmente se bebe neste país.

Você aplicaria a mesma falta de cuidado, conhecimento e paixão em outras áreas de sua vida? O que isto diz a seu respeito? Talvez você queira se definir pelo baixo denominador comum da cerveja suave e insossa. Nós não faremos parte disso. Não é nossa culpa. Constrangido pela falta de opções, seduzido pelos gigantescos orçamentos de publicidade das monolíticas corporações cervejeiras, sob lavagem cerebral das mentiras vingativas perpetradas com a veracidade de pseudo-propaganda, só lhe resta ser sugado para um buraco e sumir. Nossa missão é abrir os olhos do maior número de pessoas possível. O cenário cervejeiro está doente. E nós somos o médico.”

Chocado? Não me crucifique. Note que o texto acima está entre aspas. É uma tradução livre do contra-rótulo da 5 A.M. Saint Iconoclastic Amber Ale da Brew Dog, uma pequena cervejaria escocesa fundada em 2007 por dois garotos, Martin e James, então com 24 anos, que descobri por acaso. Nomearam como provador-chefe, contador e cão de guarda, Bracken, o verdadeiro Brew Dog, que na foto me parece um pacato weimaraner (mas não entendo nada de cães…). Claro que isto tudo eu descobri depois.

Não resisti e fucei toda a linha disponível na prateleira que incluía outra ale, a Hardcore IPA- Explicit Imperial Ale, a Alice Porter-Renaissance Baltic Porter e a Paradox Isle of Arran- Imperial Stout-matured in Isle of Arran whisky casks. Todas trazem textos brilhantes, radicais, bem-humorados e comprometidos. E o melhor é que a cerveja não fica devendo nada a tamanha pretensão.

Investigando seu site, descobri que possuem tres bares na Escócia, que afirmam ser bibliotecas de cervejas “sem smirnoff e sem televisão”! São adeptos da pureza de ingredientes. Nada além de cevada, lúpulo, fermento e água entra em suas fórmulas. Nada de aditivos, conservantes e pasteurização.

Suas ales são aromáticas, muito frutadas e florais, sem ser nada enjoativas. Confesso que me impressionaram muito. Fiquei com a sensação de estar bebendo as melhores cervejas em muitos meses. Sua stout me transportou para a primeira Guinness de minha vida. Uma sensação enternecedora, visto que as Guinnes bebidas em lata por estas bandas atualmente têm me decepcionado deveras. Muito suaves, sem corpo e sem sabor marcante. Exatamente o oposto da ótima stout Brew Dog. Estes escoceses com fama de beberrões insensíveis surpreenderam.

Eric Hobsbawm, num texto sobre a invenção da história, afirma que as tradições escocesas, em tese herdadas dos Pictos, são falsas e copiadas dos irlandeses, povo celta, migrado para o norte séculos antes. Neste caso da stout, ao menos, os escoceses superaram os mestres.

Aparentemente, a Brew Dog mantém alguns rótulos básicos, mas lança tiragens experimentais com nomes como Trashy Blonde, Punk IPA, Tokyo Intergalactic Fantastic Oak Aged Stout, Tactical Nuclear Penguin (com 32% de álcool!), 77 Lager Juxtaposition Pilsner.

Aqui no Brasil você pode encomendar um combo com 5 A.M Saint, 77 Lager, Trashy Blonde, Hardcore IPA e Punk IPA , por R$ 79, no site http://www.clubedomalte.com.br/produto/551-brewdog-combo-51 e conferir se, como dizia a velha canção do The Who, “os garotos estão certos”.

Aproveitando o assunto

Não é por outro impulso que também no Brasil mais e mais microcervejarias estão aparecendo. Já comentei nesta coluna sobre a cena de Porto Alegre. Fui bastante “cornetado”, na ocasião, pelo pessoal de Santa Catarina. Aqui vai a chance de me redimir.

Entre 17 e 19 de novembro, em Blumenau, realiza-se o Festival Brasileiro da Cerveja, que deve reunir microcervejarias, produtores artesanais e especialista para degustações, palestras e debates na Vila Germânica (saiba mais no site http://www.festivaldacerveja.com). É prevista a presença de 150 marcas de cerveja. Uma chance de apreciar a evolução da qualidade brasileira e descobrir, quem sabe, uma Brew Dog verde-amarela.

*publicado originalmente no portal terra magazine 12 DE NOVEMBRO DE 2011, 08H03

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