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Posts Tagged ‘espumante’

 

Uma noite mal dormida e uma ressaca não seriam bons presságios para uma segunda-feira de manhã. Mas eu tinha uma degustação de Brunello di Montalcino no Restaurante Cantaloup prevista e isto animaria qualquer mortal que gostasse de vinhos. Seriam dois flights de 11 vinhos cada. Rosso  e Brunello. Coisa séria. Degustação feita, explanações, colegas de alto nível, serviço impecável, opiniões divergentes, alguns amando e outros decepcionados.

Safras de 2011 dos Brunello. Um ano não tão perfeito. Bem, todos tinham um pouco de razão. Alguns exemplares deixaram a desejar. Infanticídios foram cometidos. Mas não se pode negar que também havia uma ou outra joia. O principal é notar uma mudança no perfil dos vinhos da região. Buscam ser consumidos mais cedo. Estar mais prontos. Nem sempre acertam. Alguns ficam no meio do caminho em busca de um perfil novomundista que o novo mundo anda abandonando. Mas todos trazem a coloração translúcida bem clara, aromas frutados, paladar com boa acidez e taninos cheios de personalidade. Boas expressões do clone da Sangiovese da região. A maioria dos vinhos não está no mercado brasileiro, ao menos não esta safra.

De lá fui experimentar as novidades da Vinícola Aurora, no Figueira Rubayat. E que alegria ver a constante evolução do vinho brasileiro. O lançamento mais destacado é espumante brut feito com método tradicional que passa 24 meses em contato com as leveduras. Insisto que este tipo de vinho é a vocação do Brasil. Espumante de alta qualidade com preço bem competitivo. A linha Pequenas Partilhas traz um cabernet franc e um tannat de se beber cheio de certezas no potencial do vinho brasileiro!

Mas o melhor do dia foi a noite. Para quem gosta de jazz, ou melhor, de free jazz, não poderia haver lugar mais certo para se estar do que no Jazz B, no centro de São Paulo. O quarteto do saxofonista Thiago França simplesmente inebriou, com a ajuda de uns goles de cerveja IPA artesanal, a plateia.

Formado por Thiago no sax alto, tenor e flauta, Amilcar Rodrigues no flugel e trompete, Marcelo Cabral no baixo acústico e Mariá Portugal na bateria, o quarteto fez dois sets com um intervalo de meia hora. Música fluindo do jeito que eu gosto. Todos se ouvindo e interagindo. Deu vontade de estar lá tocando junto. Esperando a deixa.

Preparem-se. Tenho de avisar ao mundo que Mariá Portugal, do Quarta B, está pegando o gosto pelo freejazz! E sai de baixo. Vejo shows de jazz há uns quarenta anos. Mariá é provavelmente a baterista mais criativa, espontânea e original que já vi. Seu sorriso contagiante, sua energia, humildade e simpatia são bônus.

A inventividade, o fluxo de ideias musicais, a precisão, o repertório, a entrega são cativantes. Um show à parte. Sei que vou me arrepender de ficar escrevendo assim, pois vai ficar cada vez mais difícil contar com a requisitadíssima Mariá para os meus projetos, mas que posso fazer? Que segunda-feira inesquecível.

 

 

 

 

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Espumante Salton Paradoxo, um charmat da Campanha Gaúcha.

Espumante Salton Paradoxo, um charmat da Campanha Gaúcha.

A Vinícola Salton completa 105 anos. Não muitos se comparados aos de alguns produtores do velho mundo, mas uma marca e tanto quando se pensa em uma história brasileira de adversidades. Junto com Miolo, Valduga e Aurora, a Salton representa a herança dos primeiros colonos italianos a se estabelecerem na Serra Gaúcha.

Seu início com o “conhaque” Presidente e depois com a popular linha Chalise foi turbinado pela força do rádio. Presidente patrocinou o futebol da Bandeirantes por anos a fio. E os engraçadíssimos jingles de Chalise devem ter conquistado fãs pelo Brasil todo.

A produção de vinhos iniciou-se ainda nos anos 1930. E desde os anos 1990 a empresa familiar vem guinando incansavelmente e com sucesso para a seara dos vinhos finos. A participação do conhaque Presidente ainda rende, pasmem, 30% do faturamento. O Chalise recolhe-se para seus 10%. Mas a linha de espumantes, aposta que começou mais seriamente nos anos 2000, já chega a 35%.

Hoje a empresa é comandada por uma nova geração que inclui as irmãs Luciana, Estela e Julia. A busca de inovação, respeitando os valores do passado familiar, é evidente em todos os produtos da Salton.

Seus vinhos de mais alta gama, da série Gerações, são homenagens a antepassados queridos, historicamente envolvidos com o crescimento da empresa.

O Salton Gerações Antonio “Nini” Salton (R$ 120) é um corte de cabernet sauvignon, merlot, cabernet franc e malbec repleto de especiarias, frutas vermelhas, chocolate, tabaco, mentol e um leve tostado. Passa 12 meses em barricas francesas novas e tem persistência e elegância dignos de homenagear o primeiro enólogo da casa. Foram produzida apenas 13.000 unidades.

O Salton Lucia Canei Espumante Rosé  Brut (R$ 130) feito de pinot noir é o tributo à “nonna”. São 5.000 garrafas de um espumante produzido pelo método tradicional com ótima acidez, um toque de frutas cítricas, outro tanto de frutas vermelhas, miolo de pão, tostados. Boa perlage e bom corpo.

A grande novidade da Salton vem, porém, da região da Campanha Gaúcha, fronteira com o Uruguai. Sua linha Paradoxo tem uma proposta ousada. Será encontrada apenas em restaurantes pelo preço sugerido de R$ 60, o que fará dela uma excelente opção nestes tempos bicudos.

Destaco seu Gewürztraminer 2014, um vinho macio, cremoso, especiado e com acidez delicada. Cor amarelo-palha e notas florais, muita lichia. Um vinho sem passagem por barricas e muito fácil de beber.

O Salton Paradoxo Pinot Noir 2014 também surpreende pela leveza, boa acidez. O sabor frutado (framboesa, morango, amoras) lembra vagamente a uva gamay, usado em Beaujolais. Um vinho versátil que pode ser bebido de maneira descompromissada ou acompanhar alguma refeição leve. Uma relação de preço e qualidade rara num pinot noir.

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Chega a primavera, o calor é maior do que se esperava. Não tem escapatória. É tempo de espumantes! Na última sexta-feira, dia 25, a SBAV (Sociedade Brasileira de Amigos do Vinho) promoveu o Festival Espumante 2015 em São Paulo.

Organizado anualmente pela associação, o evento tem como objetivo promover o espumante brasileiro e descobrir as novidades deste tipo de vinho, o que mais se destaca pela qualidade na produção brasileira. O evento teve início com uma mesa de jurados que provaram às cegas e escolheram os seus preferidos.

Cabe ressaltar que, apesar da representatividade da feira, não se pode dizer que tenha abarcado toda a produção nacional. Estiveram de fora ótimos produtores como Casa Valduga e Don Giovanni, por exemplo. Mas a competição foi acirrada, com bodegas como a premiada Cave Geisse e a Pizzatto trazendo suas novidades e gigantes como a Salton apresentando também bons rótulos.

A boa notícia é que tanto o vencedor como o segundo lugar são espumantes com preço muito competitivo: palatáveis R$ 40.

o vencedor.

o vencedor.

O vitorioso foi Adolfo Lona Rosé, um ótimo rótulo produzido pelo método charmat, conhecido dos aficionados. Lona já venceu outras edições deste festival.

o honroso segundo lugar.

o honroso segundo lugar.

E o segundo colocado, Aurora Pinto Bandeira Extra Brut Método Tradicional, surpreendeu alguns incautos, mas não a mim. Esta primeira incursão na produção pelo método tradicional (o mesmo que se usa em Champagne, com a segunda fermentação junto às leveduras na própria garrafa) apenas confirma a qualidade da matéria-prima conhecida nos seus espumantes charmat (segundo este método, a fermentação acontece em cubas de aço).

Num honroso terceiro lugar, veio um vinho da região que mais cresce e promete no Brasil, a Campanha Gaúcha: Poesia do Pampa Brut Guatambu. Um espumante na faixa dos R$ 80.

o diferentão.

o diferentão.

Meu destaque vai para o Valmarino & Churchill, um espumante complexo com um toque de madeira, por R$ 80. Com certa potência e bom corpo, foge do padrão de frescor do espumante nacional. Vale provar pela diversidade.

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daniel tagliari
O final da primavera, por estas bandas, tem sempre cara de verão. Mas o mês de dezembro deste louco 2011 começou com frio e agora castiga o país com chuva. Por certo, o calor está à espreita e, como ninguém é de ferro, um bom coquetel refrescante parece ser a saída ideal num final de tarde. Para quem gostou dos sete drinks baseados em vinho que apresentei na coluna da semana anterior, aqui vão mais sete. Um para cada dia da semana. Como os anteriores eram menos óbvios, acabei recebendo justas reclamações por email cobrando a receita de alguns clássicos que não podemos deixar de fora. Admito que os leitores têm sua razão. Como diria o locutor esportivo: clássico é clássico e vice-versa!

Dia 1.

Provavelmente o mais famoso coquetel feito com um vinho espumante seja o Kir Royal. Dizem ser uma homenagem a certo Félix Kir, prefeito de Dijon nos tempos da Primeira Grande Guerra. Por sua bela cor e seu sabor delicado, refrescante e nada enjoativo, é um campeão entre as mulheres de bom gosto. Refiro-me ao coquetel, não ao monsieur Kir. Além disso, é muito fácil de preparar. Num copo de champanhe deite 1 cl de creme de cassis e complete, de preferência, com um bom champanhe brut gelado. Na falta deste, um espumante brasileiro de qualidade cai muito bem.

Dia 2.

O French 75 é outra relíquia da França dos tempos da Primeira Guerra. Consta que seu nome homenageia uma peça de artilharia que fez muitos estragos nas tropas do Kaiser. Sua receita parece mais ser uma colaboração entre os aliados ou uma homenagem aos seus combatentes, tendo por base o gim, inglês, e o champanhe, francês. Num copo tulipa, coloque uma dose de gim, meia dose de suco de limão, uma gota de grenadine e complete com champanhe. Para o bebedor experiente, não parece tão ameaçador. Mas não custa tomar cuidado.

Dia 3. Outro clássico que havia ficado de fora é o Bellini, um coquetel criado por Giuseppe Cipriani, do Harry’s Bar de Veneza. Assim como o Kir Royal, é um drink básico e simples, que depende, contudo, da qualidade dos ingredientes: suco fresco de pêssego bem maduro num copo tulipa com espumante bem gelado por cima. Dizem que o velho Cipriani torcia o nariz para o uso de champanhe. Preferia um espumante mais fresco e simples. Mais uma vez, um bom espumante nacional dá conta do recado com louvor. E, mais, este drink tem a cara das festas de fim de ano.

Dia 4.

E falando em drink de origens italianas, que tal um Falso Negroni? Quem acompanha a coluna deve saber que o Negroni é um dos meus coquetéis preferidos. No falso, basta substituir o gim pelo espumante brut. Num copo old fashioned cheio de gelo, use 3 cl de de vermute tinto, 3cl de Campari e 3 cl de espumante. Misture delicadamente e decore com uma tira de casca de limão ou laranja. Claro que é uma versão mais fresca e menos alcoólica do drink. Mas não se iluda. Sobe bem rápido.

Dia 5.

Uma receita um pouco mais trabalhosa, mas também muito interessante, é o Ritz. Misture num shaker cheio de gelo 2 cl de suco de laranja, 2 cl de um bom conhaque e 2 cl de Cointreau. Coe tudo num copo tulipa e complete com espumante. Para ficar chique como no famoso hotel de Paris, decore com meia uva itália e uma meia lua de rodela de laranja na borda. Tem um toque cítrico e refrescante. Por não levar açúcar na receita, o doce do suco e do Cointreau se equilibram muito bem com a acidez do espumante e com o corpo do conhaque. Um drink fino. Deixe para um dia mais calmo e meditativo.

Dia 6.

A coisa mais interessante no Prince of Wales é a combinação perfeita de amargo, doce e azedo. Num copo grande de coquetel, misture uma colherinha de açúcar e umas 3 gotas de angostura. Acrescente 2,5 cl de conhaque e 1 cl de Bénédictine. Cubra a mistura com gelo picado e decore com um ou dois pedaços de laranja e uma cereja em conserva. Complete com espumante. Quanto melhor a qualidade dos ingredientes, mais feliz você ficará com o resultado. Parece óbvio dizer isso. Mas, neste caso, em que o segredo está no equilíbrio, a advertência é duplamente justificada.

Dia 7.

Um dos drinks clássicos mais refrescantes e revigorantes, indicado até para certos casos de ressaca, é o Mint Julep. Experimente no final desta maratona, portanto, uma versão Champanhe Julep. Os Julep são originários do sul dos EUA. Citados desde o século XVIII na Virgínia, têm uma etimologia duvidosa. Encontrei fontes que remetem ao árabe julap ou ao persa gulap. Ambos os idiomas se refeririam a um tipo de água aromatizada, uma água de rosas! Até faz sentido, pois o julep é basicamente um líquido aromatizado com alguma menta. Como a palavra fez este trajeto naquela época, eu não tenho ideia. Talvez tenha sido levada pelos escravos arabizados do Mali. Não encontrei, contudo, nada afirmativo neste sentido. Mais interessante ainda é pensar que o sul mais direitista dos EUA, aquele que compra a ideologia antiterrorista e antimuçulmana, tenha em seu drink-símbolo um nome com esta origem…

Mas voltemos ao assunto líquido, que é o que nos interessa aqui. Num copo alto. coloque 4 cl de brandy, uma colherinha de açúcar, folhas de hortelã frescas e esmague com um pilão como se fosse fazer uma caipirinha. Coloque gelo picado até a metade do copo. Complete com champanhe, misture com cuidado para não desperdiçar o gás carbônico e decore com folhas de hortelã.

Não custa reforçar. Sempre que a receita disser champanhe, poderemos e deveremos substituí-la por um espumante brasileiro de qualidade.

Saúde!

publicado originalmente no terra magazine SÁBADO, 17 DE DEZEMBRO DE 2011, 08H54

Mauricio Tagliari
De São Paulo

 

drink and be elegant:

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Andam dizendo por aí que, hoje em dia, só bebo vinho bacana, abandonei os coquetéis e não sou mais o mesmo bom copo de outros tempos. Papo de velhos amigos com saudade da farra e da boemia. Claro que os tempos são outros. Não dá pra não se sentir meio ridículo num sábado à meia noite, após beber duas long necks numa inocente festa de aniversário, ter que atravessar a cidade como um guerrilheiro ou um fujitivo condenado, evitando as blitz da lei seca.

Ninguém discute que não se deve dirigir alcoolizado. Mas o limite zero é uma daquelas leis jaboticabas. Só no Brasil para se criminalizar um copo de vinho ou um chopp. Enfim, respeito a lei. Vou de taxi. Mas defendo que um limite de 0.6 ou outro que contemple uma taça de vinho seria uma lei melhor.

Mas não foi a lei seca que me tirou da rotina de coqueteis. Foram os muitos vinhos maravilhosos que tenho a oportunidade de experimentar. As exigências aumentam. Durante boa parte do ano, para manter a linha, me permito beber basicamente os vinhos em degustações ou em casa, e um ou outro chopp ou cerveja no almoço. Os destilados costumeiros, as alquimias dos amigos barmen, diminuíram sua participação na minha dieta. Uma ou outra caipirinha ou similar no fim de semana, um bissexto single malt noturno e só.

Nada que não me faça admirar um bom drink quando tenho a chance, é claro. Neste calor reinante da estação ando apreciando e colecionando os mais refrescantes. Há mais de um ano, depois de degustar algumas jóias do Hemingway Bar, no Ritz de Paris, da lavra do grande Collin Field, muitas delas baseadas em vinho branco ou Champagne, tenho buscado estes sabores mais leves, sutis e menos alcoólicos.

Sempre, a depender do bolso de cada um, pode-se usar vinhos de uma gama mais alta ou mais baixa. Mister Field usa champagne e cobra 30 euros o coquetel mas voce vai ficar muito feliz se perceber que aquele espumante limitado ou aquele vinho do Porto sem grandes atributos podem se transformar com umas gotas de um destilado aromâtico ou de sabor mais intenso.

Recito a seguir sete dos meus drinks, baseados em vinhos, simples de se preparar e perfeitos para o verão. Um para cada dia da semana.

1. Um dos primeiros que conheci une duas das grandes delícias do mundo etílico. Uma boa cerveja stout e champagne. É o Black Velvet. Num copo longo despeje cuidadosamente para não fazer muita espuma, 150 ml de Guinnes e 150 ml de um bom champagne. Nem preciso reforça que ambos os líquidos devem estar perfeitamente gelados. Numa situação social mais parcimoniosa o drink escuro pode enganar incautos e fazê-los pensar que voce aderiu ao líquido negro do capitalismo!

2. Uma boa mistura, que até onde sei não tem um nome fantasia, é vinho branco e o licor Cointreau. Use uma parte de licor e cinco de vinho branco. Prefira um vinho seco, simples. Misture com uma colher bailarina, num copo com gelo e coe num copo longo. Complete com clube soda e pode decorar com casca de laranja. É um drink leve, aromâtico e muito refrescante.

3. Porto Tônica. Aqui na sua versão branca. Num copo longo, coloque o gelo, uma dose de vinho do Porto branco seco e complete com água tônica. Decore com folhas de hortelã frescas.

4. Austrian Airlines, numa flute, ponha uma dose de vodka, uma colherinha de maraschino e outra de suco de limão. Complete com espumante bem gelado.

5. O mais leve e refrescante de todos é o Spritzer, num copo longo use vinho branco do Reno gelado e club soda também previamente gelada. Mata sua sede melhor do que água.

6. O Spritzer na sua versão italiano transformou-se no Bianco Sporco. Com muitas versões conforme a cidade, é um long drink refrescante e levemente amargo. Uma das versões possíveis seria uma um quarto de dose de Campari ou Aperol e uma dose de vinho branco seco num copo longo cheio de gelo picado. Complete com club soda.

7. Outra variação do tema é , num copo flute cheio de espumante seco ou de prosecco, deitar uma pequena dose de Campari ou Vermute tinto. Apenas para “sujar”.

Aproveitem os próximos dias com estes. Na semana que vem apresento outras das minhas preferências do verão.

*SÁBADO, 10 DE DEZEMBRO DE 2011, 08H04

Mauricio Tagliari
De São Paulo

 

relaxe e beba. a menina dança:

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Daniela Villar/Ibravin/Divulgação
A longa estrada do vinho brasileiro passa pelo Vale dos Vinhedos, em Bento Goncalves

Mauricio Tagliari
De Bento Gonçalves (RS)

Cinco dias, sete vinícolas, oito degustações, 32 produtores, mais de130 vinhos degustados. Este é o saldo, em números, do projeto imagem do Ibravin para um grupo de convidados (jornalistas, sommeliers, blogueiros, críticos e restaurateurs) no fim de semana concomitante à 19ª Avaliação Nacional de Vinhos da safra de 2011, em Bento Gonçalves (RS). Em números, eu reforço. Pois a resultante real foi o reforço positivo da imagem do vinho brasileiro de qualidade. A sempre hospitaleira gente da Serra Gaúcha é um bônus inestimável. Sempre soubemos da sua paixão pelo vinho. Mas cada vez parecem estar mais abertos ao diálogo tanto com quem vem de fora quanto entre eles mesmos. Extremamente gratificante notar a união entre a grande maioria dos produtores.

Num sistema de degustação temática, uma vinícola recebia os degustadores, mas eram apresentados até três produtos de outros produtores. Com isto, houve otimização do tempo e foi possível degustar mais rótulos e falar com mais gente. Dada a quantidade de vinhos interessantes (os 130 citados acima são apenas os degustados, analisados, discutidos e devidamente cuspidos. Ficam de fora todos os goles em refeições e recepções), pretendo tecer comentarios específicos em futuras colunas. Portanto, aqui apenas dou um resumo e destaco a seguir alguns temas e as vinícolas participantes:

Tamanho Não é Documento. Tratou, obviamente, de produtores de pequeno porte. Esta qualificação é relativa. E, ao colocar Almaúnica e Pizzato neste painel, já se estabelece um padrão alto para estes chamados pequenos. Sozo, Antônio Dias, Don Bonifácio, Aracuri e Calza completaram a lista de produtores. Nota-se a presença de produtores da região chamada Campos de Cima da Serra, mais ao norte.

Surpresas a Galope. Tratou principalmente de vinícolas da Campanha Gaúcha, região na divisa com o Uruguai e grande aposta de muitos especialistas. Além da Vinícola Miolo, proprietária da Almadén e da Fortaleza do Seival, ambas localizadas na Campanha, compareceram as novíssimas Dunamis, Guatambu e Peruzzo, a ótima Cordilheira de Santana, Província de São Pedro e Campos de Cima, esta não exatamente da mesma região.


Tarso Genro discursa na Avaliação Nacional de Vinhos safra 2011 (Foto: Daniela Villar/Ibravin/Divulgação)

Terroirs da Miolo. Foi uma ótima oportunidade de conhecer a variedade de terroirs explorados pela empresa. Melhor ainda, a vertical do Merlot Terroir, onde foi possível acompanhar a evolução deste vinho que já é um ícone.

A União Faz a Força. Reuniu cooperativas vinícolas como Aurora, Garibaldi e São João.

Longa Vida ao Vinho Brasileiro. Uma das mais interessantes degustações e das mais reveladoras. Com o intuito de desmentir a afirmação, recorrente no meio enófilo, de que o vinho brasileiro até pode ser bom, mas não serve para a guarda, foi organizado este painel que aceitou apenas vinhos produzidos antes de 2000. Agradável surpresa. Voltarei neste assunto em coluna futura. Participaram Dal Pizzol, Don Laurindo, Pizzato, Maximo Boschi e Geisse.

O Outro Lado da Serra Gaúcha. Mostrou o projeto arrojado da moderníssima vinícola de Luiz Argenta e os mais tradicionais Boscato e Galiotto, todos do lado da serra, próximo a Flores da Cunha, terra da histórica Granja União.

O Doce Sabor da Serra. Tratou basicamente do grande potencial da uva moscatel para a Serra Gaúcha. Presentes estavam Perini, Basso e Tonini.

Vitivinicultura nas Alturas. Com rótulos de Santa Catarina, trouxe apenas Pericó e Kranz.

Degustação surpresa. Fechou o ciclo de provas com vinhos da Campanha, ainda em teste na Vinícola Salton.

Como se pode observar, o trabalho sério do Ibravin e o esforço incansável dos produtores já são dignos de um acompanhamento mais próximo por parte do consumidor de vinhos finos, seja brasileiro ou estrangeiro.

No inicio da semana anterior, uma degustação organizada pelo blog Enoleigos, do querido Gustavo Kauffmann, enfileirou 19 vinhos brasileiros abaixo de R$ 200. O resultado foi interessante, entre outros motivos, por colocar no topo três vinhos de três regiões diferentes: Serra Gaúcha, Santa Catarina e Vale do São Francisco. Vale checar aqui: http://www.enoleigos.com.br/2011/09/resultado-da-degustacao-qual-o-melhor.html

As surpresas não param. Aguardem.

publicado originalemnte no terra magazine em SÁBADO, 1 DE OUTUBRO DE 2011

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Esta é a proposta do Circuito Brasileiro de Degustação, que o Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) retoma este ano, com patrocínio do Sebrae e do Governo do Estado do Rio Grande do Sul em mais uma grande iniciativa de promoção do vinho brasileiro.

Três capitais brasileiras receberão a edição deste ano do Circuito reunindo 25 vinícolas brasileiras, de quatro estados produtores – Pernambuco, Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul – para degustação de vinhos, espumantes e suco de uva 100% natural e integral.

O roteiro começa na próxima segunda-feira (dia 24 de outubro), em Porto Alegre. Na terça-feira (25), o Circuito aterissa em São Paulo. Na quinta-feira (27), será a vez do Rio de Janeiro receber as 25 vinícolas brasileiras.

O Circuito Brasileiro de Degustação será realizado das 14h às 22h nas três cidades. Das 14h às 19h, o evento é fechado para profissionais (sommeliers, chefs, proprietários de restaurantes, bares, hotéis, entre outros) e jornalistas. A partir das 19h, o Circuito abre para o público em geral. O preço do ingresso é de R$ 50. O Ibravin está oferecendo 100 vagas gratuitas para consumidores de cada cidade. Para se habiliar, basta enviar um e-mail para vinhoearte@gmail.com (Porto Alegre), cintia.silva@exponor.com.br (São Paulo) e rsvp@vezestres.com.br (Rio de Janeiro).

A sommelier carioca Deise Novakoski conduzirá o tema “A Diversidade dos Vinhos Brasileiros”, sempre às 20h nas três capitais. Os rótulos escolhidos pela sommelier são os seguintes: Syrah safra 211, da Sociedade Vinícola Estrada Real, de Minas Gerais; Syrah safra 2010, da Duccos, de Pernambuco; Sauvignon Blanc safra 2010, da Pericó, de Santa Catarina; Gamay safra 2011, da Salton, Rio Grande do Sul; e Ruby Cabernet safra 2008, da Campos de Cima, Campanha Gaúcha.
O jornalista Marcelo Copello falará, sempre às 16h, sobre “As raridades dos Vinhos do Brasil”. Copello escolheu os seguintes rótulos para o seu painel: Perini Quatro safra 2008, da Vinícola Perini; Documento Merlot safra 2009, da Dom Cândido; Casa Venturini Chadonnay safra 2010, da Vinícola Góes & Venturini; Tannat safra 2008, da Antônio Dias; e Via 1986 Marselan safra 2009, da Viapiana.

A mesa redonda sobre os espumantes brasileiros, que será realizada às 18h, contará com cinco convidados locais de cada uma das capitais. Em São Paulo, os participantes serão Suzana Berelli, José Luiz Pagliari, Sergio Inglez de Sousa, Maurício Tagliari e um convidado surpresa.

Para participar das palestras é preciso se inscrever antecipadamente pelos e-mails vinhoearte@gmail.com (Porto Alegre), cintia.silva@exponor.com.br (São Paulo) e rsvp@vezestres.com.br (Rio de Janeiro). As vagas são limitadas.

Vinícolas participantes do Circuito Brasileiro de Degustação:
Antônio Dias – Basso – Campos de Cima – Casa Valduga – Cave Marson –
Cooperativa Vinícola Aurora – Cooperativa Vinícola Garibaldi – Dal Pizzol –
Dom Cândido – Domno do Brasil – Don Giovanni – Don Laurindo – Duccos –
Dunamis – Góes & Venturini – Larentis – Lidio Carraro – Miolo – Pericó –
Perini – Pizzato – Sociedade Vinícola Estrada Real – Salton – Valmarino – Viapiana

SERVIÇO | CIRCUITO BRASILEIRO DE DEGUSTAÇÃO

Horários: 14h às 19h – somente para profissionais e convidados
Das 19h às 22h – para o público em geral (ingresso: R$ 50,00)

Realização: IBRAVIN – Instituto Brasileiro do Vinho
Patrocínio: Sebrae e Governo do Estado do Rio Grande do Sul
Apoio: Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), ABS (Associação Brasileira de Sommeliers), Sbav (Sociedade Brasileira dos Amigos do Vinho/RS) e Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial)
* Dia 24 de outubro de 2011 | Porto Alegre (RS) | Salão Nobre da Catedral Metropolitana (Rua Duque de Caxias, 1047). Entrada pela rua entre o Palácio Piratini e a Catedral.

* Dia 25 de outubro de 2011 | São Paulo (SP) | Festivo Eventos (Rua Cônego Eugênio Leite, 1098, em Pinheiros).

* Dia 27 de outubro de 2011 | Rio de Janeiro (RJ) | no Salão Marlin Azul do Iate Clube (Avenida Pasteur, 333, na Urca).

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