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Posts Tagged ‘refrescante’

Andam dizendo por aí que, hoje em dia, só bebo vinho bacana, abandonei os coquetéis e não sou mais o mesmo bom copo de outros tempos. Papo de velhos amigos com saudade da farra e da boemia. Claro que os tempos são outros. Não dá pra não se sentir meio ridículo num sábado à meia noite, após beber duas long necks numa inocente festa de aniversário, ter que atravessar a cidade como um guerrilheiro ou um fujitivo condenado, evitando as blitz da lei seca.

Ninguém discute que não se deve dirigir alcoolizado. Mas o limite zero é uma daquelas leis jaboticabas. Só no Brasil para se criminalizar um copo de vinho ou um chopp. Enfim, respeito a lei. Vou de taxi. Mas defendo que um limite de 0.6 ou outro que contemple uma taça de vinho seria uma lei melhor.

Mas não foi a lei seca que me tirou da rotina de coqueteis. Foram os muitos vinhos maravilhosos que tenho a oportunidade de experimentar. As exigências aumentam. Durante boa parte do ano, para manter a linha, me permito beber basicamente os vinhos em degustações ou em casa, e um ou outro chopp ou cerveja no almoço. Os destilados costumeiros, as alquimias dos amigos barmen, diminuíram sua participação na minha dieta. Uma ou outra caipirinha ou similar no fim de semana, um bissexto single malt noturno e só.

Nada que não me faça admirar um bom drink quando tenho a chance, é claro. Neste calor reinante da estação ando apreciando e colecionando os mais refrescantes. Há mais de um ano, depois de degustar algumas jóias do Hemingway Bar, no Ritz de Paris, da lavra do grande Collin Field, muitas delas baseadas em vinho branco ou Champagne, tenho buscado estes sabores mais leves, sutis e menos alcoólicos.

Sempre, a depender do bolso de cada um, pode-se usar vinhos de uma gama mais alta ou mais baixa. Mister Field usa champagne e cobra 30 euros o coquetel mas voce vai ficar muito feliz se perceber que aquele espumante limitado ou aquele vinho do Porto sem grandes atributos podem se transformar com umas gotas de um destilado aromâtico ou de sabor mais intenso.

Recito a seguir sete dos meus drinks, baseados em vinhos, simples de se preparar e perfeitos para o verão. Um para cada dia da semana.

1. Um dos primeiros que conheci une duas das grandes delícias do mundo etílico. Uma boa cerveja stout e champagne. É o Black Velvet. Num copo longo despeje cuidadosamente para não fazer muita espuma, 150 ml de Guinnes e 150 ml de um bom champagne. Nem preciso reforça que ambos os líquidos devem estar perfeitamente gelados. Numa situação social mais parcimoniosa o drink escuro pode enganar incautos e fazê-los pensar que voce aderiu ao líquido negro do capitalismo!

2. Uma boa mistura, que até onde sei não tem um nome fantasia, é vinho branco e o licor Cointreau. Use uma parte de licor e cinco de vinho branco. Prefira um vinho seco, simples. Misture com uma colher bailarina, num copo com gelo e coe num copo longo. Complete com clube soda e pode decorar com casca de laranja. É um drink leve, aromâtico e muito refrescante.

3. Porto Tônica. Aqui na sua versão branca. Num copo longo, coloque o gelo, uma dose de vinho do Porto branco seco e complete com água tônica. Decore com folhas de hortelã frescas.

4. Austrian Airlines, numa flute, ponha uma dose de vodka, uma colherinha de maraschino e outra de suco de limão. Complete com espumante bem gelado.

5. O mais leve e refrescante de todos é o Spritzer, num copo longo use vinho branco do Reno gelado e club soda também previamente gelada. Mata sua sede melhor do que água.

6. O Spritzer na sua versão italiano transformou-se no Bianco Sporco. Com muitas versões conforme a cidade, é um long drink refrescante e levemente amargo. Uma das versões possíveis seria uma um quarto de dose de Campari ou Aperol e uma dose de vinho branco seco num copo longo cheio de gelo picado. Complete com club soda.

7. Outra variação do tema é , num copo flute cheio de espumante seco ou de prosecco, deitar uma pequena dose de Campari ou Vermute tinto. Apenas para “sujar”.

Aproveitem os próximos dias com estes. Na semana que vem apresento outras das minhas preferências do verão.

*SÁBADO, 10 DE DEZEMBRO DE 2011, 08H04

Mauricio Tagliari
De São Paulo

 

relaxe e beba. a menina dança:

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Vez ou outra, para meu mais completo espanto, escuto a frase: “Não gosto de vinho”. Imediatamente me vem à mente a pergunta/resposta: “De qual vinho voce não gosta? Tinto, branco, espumante, rosé, porto, jerez, retsina? Qual?”. O mundo do vinho é vastíssimo. Nem precisamos ir tão longe. Em qualquer uma dessas categorias citadas, a variedade já é enorme.

Pensei nisso porque, com a proximidade do verão (ao menos no calendário, ainda que não nos termômetros), avaliava a reposição das opções de vinho branco em minha adega. E deparo com excelentes e díspares opções. Entre um chablis, um vinho verde ou um branco do novo mundo, o que escolher? Claro que a resposta é: todos e mais um pouco!

Recentemente, provei alguns brancos muito interessantes e de faixas de preço e estilos bem variados. Vejam o caso do argentino Domaine Jean Bousquet Reserva Chardonnay/Pinot Gris 2010 (ABFLUG, R$ 59), por exemplo. Confesso não ser um entusiasta dos brancos argentinos. Costumam se ressentir da falta de acidez. Mas este chardonnay temperado com 15% de pinot gris, um orgânico que não passa por madeira, fica duas semanas sobre as borras e faz batonage, é um vinho fresco, com aromas de frutas tropicais sutil e algo de cítrico. Muito equilibrado na boca, lembrando maçã verde e lima da pérsia. Elegante e ótima relação custo-benefício.

Outro exemplar do novo mundo é o Calyptra Chardonnay Gran Reserva 2007 (wine.com.br, R$ 90). Um vinho muito mais encorpado, com paladar untuoso, amanteigado e mineral. Na primeira impressão, aparentou faltar acidez, mas esta apareceu e se manteve firme com a comida. Trouxe notas de tostado e mel discreto. Passa 24 meses em carvalho francês, o que lhe confere uma ótima estrutura. Um grande vinho para a categoria.

Chardonnay, presente nos dois vinhos citados, é, atualmente, uma cepa mundial. Mas suas raízes estão firmes na Borgonha. E de lá vem o maravilhoso Chablis Grand Cru Vaudésir 2009 de Joseph Drouhin (Mistral, U$ 179,50). Originado de vinhedos de mais de 30 anos, cultivados com práticas biodinâmicas, tem um aroma trufado e mineral. Na boca é fino, elegante e sensual. Equilibra uma acidez delicada com um final cremoso. Um vinho fiel à tradição de Chablis. Ainda um chardonnay. Mais apolíneo do que os do novo mundo, eu diria.

Como o mundo do vinho branco vai muito além da chardonnay, não posso deixar de mencionar o Luis Pato Vinhas Velhas branco 2009 (Mistral, U$ 33,90), que bebi há poucas semanas. Um corte de cerceal da Bairrada, sercealinho e bical, fermentado e amadurecido por seis meses em inox. Complexo, elegante, paira, com perfeito equilíbrio, entre acidez e fruta. Um vinho tão diverso dos anteriores que nos faz pensar em outras paisagens e outras comidas.

Para fechar a lista de hoje, destaco o Thalassitis Oak Fermented 2008 (Mistral, U$ 58,90), da Gaía, considerada por muitos críticos internacionais a melhor vinícola grega. Oriundo da paradisíaca ilha de Santorini, é produzido 100% com a casta assyrtiko. Thalassatis significa “aquele que vem do mar”. Produzido do que talvez sejam os vinhedos mais antigos do mundo, coisa na ordem das centenas de anos, com raízes profundíssimas no solo vulcânico, de baixíssima produtividade. Feito o enxerto, aproveitando-se a raiz, temos a impressão de ver plantas totalmente diferentes. Sofrem a ação do vento e se retorcem impressionantemente, formando uma espécie de cesta de proteção. A água e os nutrientes atravessam dezenas de metros em espiral entre a raiz e a fruta, criando, assim, uma alta concentração.

É um vinho estupendo, fermentado em barricas, austero, complexo, que em momentos lembra algo do clássico espanhol Tondonia, com um toque de Jerez fino. Seus aromas passam do mineral ao herbáceo, mas não deixam a fruta de lado. Na boca, é uma explosão de sensações. Exige atenção e profundidade. Yiannis Paraskevopoulos, proprietário da Gaía, concorda que não é uma bebida para quem está acostumado ou espera ligeireza ou superficialidade.

Com tanta diversidade numa pequena lista de brancos tranquilos, somente uma alma pouquíssimo curiosa, sem confiança na beleza da natureza, há de dizer que “não gosta de vinho”.

*publicado originalmente no terra magazine SÁBADO, 22 DE OUTUBRO DE 2011, 11H53

Mauricio Tagliari
De São Paulo

e para quem não conhece, White Wine In The Sun by Tim Minchin:

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Recentemente, fomos premiados com a apresentação de duas escolas de enologia de Portugal, de certo modo tão diversas entre si que quase seria possível imaginá-las originadas de diferentes povos.

De um lado, a jovem Denominação de Origem dos Vinhos do Tejo (leia sobre eles nesta coluna do ano passado), que, com esforço notável, tenta ocupar um merecido espaço no mercado mundial e no brasileiro em particular. Para isso, mudaram o nome de DOC Ribatejo para DOC Tejo, investiram em qualidade, tecnologia e, claro, em marketing. São produtores honestos, algumas vinícolas familiares e, no trato pessoal, guardam ainda um ar provinciano que tem seu charme. Circunspectos, quase paroquiais, porém acolhedores.

Com tais modos tímidos, já desembarcam em terras brasileiras 400 mil litros (dados de 2010), produzidos nos 285 mil hectares de uma região de solo basicamente arenoso e argilo-calcáreo, cortada pelo rio Tejo e por três serras, Aires, Candieiros e Montejunto, com grande influência marítima. Classificam-se três terroirs: Bairro na margem direita do rio, Charneca na margem esquerda e Lezíria, adjacente ao rio e com solo de aluvião.

Paradoxalmente, oriundos da mais antiga Denominação de Origem do mundo, o DOC do Porto, vieram os Douro Boys, um grupo de produtores formado por João Ferreira (Quinta do Vallado), José Teles (Niepoort), Tomás Roquette (Quinta do Crasto), Cristiano van Zeller (Quinta do Vale D. Maria) e Francisco Olazabal (Quinta do Vale Meão). Douro Boys porque apostaram na produção de vinhos tranquilos de uvas oriundas das encostas do rio Douro, antes destinadas somente, ou principalmente, para a produção de Vinhos do Porto.

Os Douro Boys são cosmopolitas, poliglotas, expansivos, ousados e oriundos de famílias afluentes, influentes e atuantes no mundo do vinho há séculos. Produzem vinhos que são verdadeiros ícones e já fazem parte da moderna história do vinho português. Seu masterclass se transforma numa mescla de degustação e stand up comedy, tal a desenvoltura do grupo. Nada mais contrastante do que a comparação com o povo do DOC Tejo.

Os vinhos, porém, mostram outras características. Se em cada uma das regiões cultivam-se até cinquenta das trezentas castas presentes em Portugal, no Douro as variedades tintas se destacam. Seus vinhos são potentes, cheios de fruta, longevos, digamos, mais senhores de si. Muitos de seus vinhos são tributários de vinhas velhas onde às vezes há uma variedade de até 40 castas misturadas, sistema utilizado no passado para manter a média de produção.

Provamos 22 rótulos, e meus destaques são estes:

Redoma Reserva Branco 2009 (Cantu 11 95792805), de vinhas velhas, tem castas como rabigato e viosinho. Traz aroma de flores brancas, mineral e leve mentolado.

Quinta do Vale Meão 2008 (Mistral 11 33723415) traz touriga nacional, touriga franca e outras cepas. Nariz potente, complexo, faz a pisa a pé e fermentação malolática em barrica. Oriundo de vinha fornecedora do mítico Barca Velha.

Quinta do Vallado Reserva Field Blend 2008 (Cantu 11 95792805), vinhas velhas e mescladas. Um gigante, elegante, com aromas leves de fruta, complexidade no nariz e na boca. Taninos suaves e acidez perfeita. Longo e delicado.

Quinta do Crasto Touriga Nacional 2009 (Qualimpor 11 51814492). Produzido só em anos excepcionais. Aroma potente, floral, frutado. Acidez e taninos irrepreensíveis. Na boca, frutas negras e vermelhas. Persistência média.

Niepoort Charme 2007 (Mistral 11 33723415) lembra um borgonha. Com leves tostados, floral, equilíbrio e um ótimo final. Muito gastronômico.

Já os goles do Tejo são muito variados. Podem ser brancos estruturados mas com ótima acidez, rosés quase tintos porém extremamente divertidos, e muitos elogiáveis tintos. Aventuram-se pelos espumantes sem fazer feio, também.

Meus velhos conhecidos Oceanus e Ikon, da Casa Fiuza, (Vinea 11 3059-5200) citados na coluna do ano passado não decepcionaram. Cada um em sua faixa, são excelentes.

A descoberta foram os vinhos da Quinta da Lapa (Azavini 21 22748819). Seu Reserva 2008 venceu o luso Concurso Nacional de Vinhos Engarrafados na edição 2010. Mas meu preferido foi seu Branco Colheita Selecionada 2010, com notas cítricas, estruturado, agradável e persistente.

Outro achado, o Terra Silvestre 2010 Branco, tem um corte de arinto e fernão pires, cor de palha com reflexos esverdeados. Aroma sutil e, na boca, muita maciez e ótimo frescor. Seu irmão Terra Silvestre 2009 Tinto também demonstra enorme personalidade.

Os últimos dois vinhos ainda não são importados para o Brasil. Mas, pela sua qualidade, a espera não deve ser grande.

O Douro, contido em suas margens sólidas e íngremes, ou o Tejo, se espalhando e inundando as planícies transmitem , sem sombra de dúvida, são metáforas das características e da personalidade de seus vinhos. Tamanha variedade só vem reforçar a posição lusa no ranking das importações brasileiras, ultrapassando os vinhos italianos e ficando atrás apenas de argentinos e chilenos.

*publicado originalmente no terra magazine em 30 DE JULHO DE 2011, 08H15

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pelo que vi haviam umas 50 pessoas on line na degustação do IBRAVIN. o livestream do evento no facebook estava animado com ótimos comentários. bebemos um merlot 2005 da lidio carraro. um pouco fechado. gustavo kauffmann foi mais esperto e decantou 2 hs antes. o vinho realmente é bom. está no seu auge. cor densa, aromas terciários aparecendo, além de um mentolado. na boa taninos nervosos e ótima acidez. leve amargor final que não incomoda. muuuuiiiiitopersistente.
depois foi o pizzato brut, um excelente espumante corte de chardonnay e pinot noir feito pelo método tradicional. ótima perlage, cor palha, cremoso e com deliciosa acidez. seu frescor levantou debate sobre sua versatilidade. o veredito foi: de ostras até chocolate amargo! realmente muito bom. deve custar em torno de R$42. mas vale mais do que espumantes estrangeiras que custam o dobro. será atraçnao de qualquer festa. provei os dois vinhos em duas tacas diferentes. o merlot na iso e na riedel. melhorou muito na riedel. e o espumante na iso e na tulipa. tb foi bem na tulipa. falando em tulipa, esta querida cantora da ybmusic, já já estou no tom jazz assistindo o show de nina becker, outra super querida.

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Poucas coisas atrapalham mais o desenvolvimento humano do que o preconceito. Cada um de nós tem uma parcela, maior ou menor, de vícios, costumes, idiossincrasias que resultam nesse sentimento insuspeito. Para combatê-lo precisamos de perseverança, oportunidades e exemplos.

Quem começou a beber vinho brasileiro nos últimos 5 ou 6 anos não tem idéia da enorme evolução de qualidade que se deu na última década. Na verdade, é um processo iniciado há mais tempo, com a chegada de multinacionais ao país, na década de 70. Os mais velhos e os mais desinformados talvez ainda tragam na memória alguns vinhos esforçados, mas ainda com defeitos. Um amargor final aqui, uma falta de corpo ali, e assim por diante. Há que se superar isto. O vinho brasileiro está cada vez melhor.

A convite do Ibravin (Instituto Brasileiro do Vinho), estive na Serra Gaúcha há algumas semanas. Em obediência a uma agenda bem montada, apesar de algo extenuante, visitamos várias vinícolas e pudemos travar contato com muito do melhor da cultura vitivinícola brasileira. Tenho de fazer a feliz confissão: demoli alguns dos meus preconceitos. Esperava bons espumantes e vinhos apenas corretos.

O espumante

Na oportunidade, fomos apresentados ao CPEG (Consórcio dos Produtores de Espumantes de Garibaldi-www.cpeggaribaldi.com.br) por meio de palestra e degustação. Uma das certezas que levamos na bagagem foi a da qualidade do espumante brasileiro.

Veja também:
» O espumante brut brasileiro – parte I
» Os espumantes brut brasileiros – parte II
» Os espumantes brut brasileiros – final

Nisto, tínhamos razão. O CPEG corroborou nossa opinião. Um grupo de vinícolas de Garibaldi em busca de qualificação e reconhecimento optou não por uma denominação de origem, mas por uma marca coletiva.

Sem contar com os festejados espumantes da Valduga e da Cabe Geisse, por razões geográficas, tivemos o destaque para os os brut e nature do argentino-brasileiro Adolfo Lona (www.adolfolona.com.br), figura simpática e carismática, além de profundo conhecedor da técnica de vinificação de espumantes.

Lona trabalha com ciclos de produção um pouco mais longos, tanto no método charmat quanto no tradicional, conseguindo, assim, maior complexidade em seus vinhos. Sua cave é o que pode se chamar de “garage”. Marcas menos famosas no resto do país também brilham. E até fora do Brasil.

O Grand Legado Brut Champenoise, da vinícola Wine Park, por exemplo, conquistou medalha de ouro no International Wine Challenge 2011, um dos concursos independentes de vinhos mais prestigiados e influentes do mundo. O anúncio foi feito na abertura da London International Wine Fair (LIWF), nesta terça-feira (17), em Londres, consagrando o espumante como o primeiro rótulo verde-amarelo a receber ouro no concurso, disputado por mais de 12 mil amostras de 48 países, número recorde de participações em sua história.

Mas nem só de garagem vive o espumante brasileiro. Na mesma oportunidade, os espumantes Aurora Brut Chardonnay e Aurora Brut 100% Pinot Noir, da gigante Cooperativa Aurora, receberam, respectivamente, medalhas de prata e de bronze.

Neste aspecto, temos de louvar o Ibravin (http://www.ibravin.org.br/) e seus projetos de imagem nos mercados interno e externo, respectivamente Vinhos do Brasil (www.vinhosdobrasil.com.br) e Wines of Brazil (http://www.winesfrombrazil.com.br/), este em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil).

Estes projetos estão levando, sistematicamente, críticos nacionais e internacionais, jornalistas e blogueiros para vivenciar o florescimento da vinicultura verde-amarela. Alguns como Oz Clarke (veja em http://youtu.be/eItCl7UxWeQ), Julia Harding, braço direito de Jancis Robinson, e T.M. Luongo, da Wine Enthusiast, mostram-se muito impressionados, dando conselhos e apoio apaixonado.

Além disso, a Wines of Brazil tem marcado presença de forma global. Promove periodicamente bem-sucedidas degustações, da Suíça a Hong Kong. Sempre surpreendendo os especialistas.

Um exemplo dos resultados se pode medir pela inclusão de quatro rótulos brasileiros na carta de vinhos do famoso restaurante River, do Hotel Savoy, em Londres, frequentado por empresários, artistas britânicos e pela família real. Três vinhos (um branco, o Dádivas Chardonnay, da Lidio Carraro; e dois tintos, o Gran Reserva Cabernet Sauvignon, da Casa Valduga; e o Tannat, da Pizzato) e um espumante (o Cave Geisse Brut Rosé) foram escolhidos pelo sommelier brasileiro Áthila Roos, contratado no ano passado pelo River.

O primeiro master sommelier da penínsla ibérica, João Pires, do Dinner, do chef Heston Blumenthal, no Hotel Mandarin, em Londres, também escolheu um Miolo Merlot 2008 para este que é um dos mais caros e refinados restaurantes da Inglaterra.

Como se vê, os vinhos brasileiros estão entrando pela porta da frente do exigente e sofisticado mercado do vinho mundial: Londres. Será um longo caminho. Mas, pelo ritmo do trabalho, a capacidade das pessoas e a presença em feiras internacionais, é só questão de tempo para o vinho brasileiro começar a encontrar seu espaço nas mesas do mundo todo.

A outra “apresentação” feita durante minha visita foi a do D.O. Vale dos Vinhedos. Mas isto fica para a próxima semana.

*publicado originalmente no portal terra magazine

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Mauricio Tagliari
De São Paulo

Prometo que não vou reclamar novamente dos altíssimos impostos cobrados sobre os vinhos no Brasil. O assunto é outro. Sou só eu ou mais alguém percebe que está na moda falar mal de quem gosta de vinhos? Em alguns círculos e na mídia em geral, parece que o legal é ironizar quem demonstra um interesse mais sério a respeito de vinhos. Basta você tentar sentir o aroma de um deles em um restaurante mais descolado que alguém da mesa do lado olha torto, com ar superior, como quem diz “olha aí mais um enochato”! Às vezes, até mesmo alguém da sua mesa solta uma gracinha a respeito.

Pior! Todo texto de colunista ou blogueiro mais esperto, até os que tenho em alta conta, não perde a oportunidade de dizer o quanto é ridículo girar taça em público, que não se deve enfiar o nariz no copo, que é bobagem olhar a rolha, etc. E todos pregam na testa do coitado do enófilo o epíteto “enochato”. Já soube de conhecidos que, apesar de gostarem de bons vinhos, intimidam-se de pedi-los em público. Passaram a pedir cervejas mais finas. Mas, mesmo assim, disfarçam ao “cheirar” a bebida para não serem censurados ou ironizados.

Me pergunto qual seria a razão desta fúria. Inveja da sensibilidade alheia? Medo do desconhecido? Preguiça? Necessidade moderna de parecer tosco para ser interessante? Ou todas as anteriores? Pela minha experiência no mundo da música, aposto na última alternativa. É um estranho fenômeno moderno, este. Moderno no sentido do início do século XX. Mas que agora chegou até à classe média.

Para ser cool e sofisticados, temos de ser desleixados, proto-ignorantes. Temos de valorizar a estranheza e não gostar do que seria de bom tom gostar. Somos todos um pouco dadaístas, um pouco snobs e, por que não, um pouco toscos! Mas com “atitude”.

Por que cair de pau justamente nas “enopessoas”? Há chatos muito piores e mais ruidosos. Os cinéfilos, por exemplo. Outro dia quase saí correndo ao escutar as bobagens que uma atriz cult vomitava na fileira de trás do cinema para suas duas amigas! Mas não me ocorreu chamá-la de “cinechata”… E os maníacos por futebol? Alguns beirando o insuportável. E sem freios civilizatórios. Quem os trata por “futechatos”? E os nerds? E os geeks? A lista é enorme.

O termo enochato se disseminou de tal maneira que passou a ser arremessado contra qualquer pobre apreciador de vinho. Além disso, é uma jabuticaba! Só existe no Brasil. Há o wine bore em inglês mas não é exatamente a mesma coisa. Ou o arcaico italiano enolaio. Mas não destilam o mesmo preconceito contra o cidadão que tenta simplesmente degustar seu vinhozinho sem fazer mal ao próximo.

É claro que há chatos em qualquer atividade, trabalho ou hobby. E provavelmente um ou outro novo rico, snob e chato pode ter irritado muita gente com seu papo de vinho. Talvez até mesmo algum inocente apreciador mais entusiasmado tenha atravessado um pouco a linha da chatice. Mas, convenhamos, a reação da sociedade foi exagerada: cunhou um neologismo!

Penso tudo isso após um jantar com Maurizio Zanella, o proprietário, enólogo e ideólogo da Ca’ del Bosco, uma estrela da Franciacorta, região que produz o melhor espumante da Itália. Do nível dos melhores Champagnes.

Seu charme despojado, entusiamo e conhecimento de causa nos remete a um mundo em que apreciar vinho é a coisa mais natural. Um mundo onde não existem nem enochatos nem seus críticos. Um mundo no qual todos somos curiosos, honestos e sem preconceitos.

Zanella contou sua trajetória de estudante relapso de uma família sem tradição vitivinícola a produtor de vinhos finíssimos (e caros) com humildade e bom humor. Contou-nos que, ironicamente, os jogadores brasileiros do Milan, clube do qual é conselheiro, têm um grande interesse e uma cultura de vinhos maior do que a dos jogadores italianos. Confirmou, inclusive, que o capitão Cafu é um coineusseur.

Criticou fundamentadamente as taças flute para beber espumantes mais encorpados e aromáticos como os Franciacorta e Champangnes. E mais, enfiou no copo seu nariz italiano despudoradamente para apreciar os deliciosos aromas de seus vinhos. E por que não seria assim? Afinal, ele nem sabe da existência dos enochatos. E não tem nenhuma razão para se sentir intimidado pelos “espertochatos”.

Franciacorta Brut 2003 (Cà del Bosco)

(Mistral) R$ 245,52

Um corte de Chardonnay, Pinot Nero e Pinot Bianco. Cor quase dourada, aroma complexo de tostados e leveduras. Encorpado e com acidez delicada, sem excesso de cítricos ou frutas tropicais. Final longo e muito elegante. Não é à toa que a prestigiada revista Gambero Rosso classifica Ca’del Bosco como o segundo melhor produtor da Itália.

* saiu antes aqui http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI4208219-EI13996,00-O+injusto+sofrimento+dos+enofilos.html

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contei com a simpatia do ricardo garrido e a boa vontade do netinho, barman do astor e testei um berliner wasser.
substituímos o licor chambord, de framboesa, por um marie brizard de morango. o chopp entra antes na receita. depois a club soda gelada e por fim as gotinhas de licor. a untuosidade do licor não permite que o drink se transforme num “chopp aguado” . muito bom para o verão. um pouco doce para meu paladar. mas aviso: moças, peçam para seu barman. vcs vão adorar!

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