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Posts Tagged ‘touriga nacional’

Recentemente, fomos premiados com a apresentação de duas escolas de enologia de Portugal, de certo modo tão diversas entre si que quase seria possível imaginá-las originadas de diferentes povos.

De um lado, a jovem Denominação de Origem dos Vinhos do Tejo (leia sobre eles nesta coluna do ano passado), que, com esforço notável, tenta ocupar um merecido espaço no mercado mundial e no brasileiro em particular. Para isso, mudaram o nome de DOC Ribatejo para DOC Tejo, investiram em qualidade, tecnologia e, claro, em marketing. São produtores honestos, algumas vinícolas familiares e, no trato pessoal, guardam ainda um ar provinciano que tem seu charme. Circunspectos, quase paroquiais, porém acolhedores.

Com tais modos tímidos, já desembarcam em terras brasileiras 400 mil litros (dados de 2010), produzidos nos 285 mil hectares de uma região de solo basicamente arenoso e argilo-calcáreo, cortada pelo rio Tejo e por três serras, Aires, Candieiros e Montejunto, com grande influência marítima. Classificam-se três terroirs: Bairro na margem direita do rio, Charneca na margem esquerda e Lezíria, adjacente ao rio e com solo de aluvião.

Paradoxalmente, oriundos da mais antiga Denominação de Origem do mundo, o DOC do Porto, vieram os Douro Boys, um grupo de produtores formado por João Ferreira (Quinta do Vallado), José Teles (Niepoort), Tomás Roquette (Quinta do Crasto), Cristiano van Zeller (Quinta do Vale D. Maria) e Francisco Olazabal (Quinta do Vale Meão). Douro Boys porque apostaram na produção de vinhos tranquilos de uvas oriundas das encostas do rio Douro, antes destinadas somente, ou principalmente, para a produção de Vinhos do Porto.

Os Douro Boys são cosmopolitas, poliglotas, expansivos, ousados e oriundos de famílias afluentes, influentes e atuantes no mundo do vinho há séculos. Produzem vinhos que são verdadeiros ícones e já fazem parte da moderna história do vinho português. Seu masterclass se transforma numa mescla de degustação e stand up comedy, tal a desenvoltura do grupo. Nada mais contrastante do que a comparação com o povo do DOC Tejo.

Os vinhos, porém, mostram outras características. Se em cada uma das regiões cultivam-se até cinquenta das trezentas castas presentes em Portugal, no Douro as variedades tintas se destacam. Seus vinhos são potentes, cheios de fruta, longevos, digamos, mais senhores de si. Muitos de seus vinhos são tributários de vinhas velhas onde às vezes há uma variedade de até 40 castas misturadas, sistema utilizado no passado para manter a média de produção.

Provamos 22 rótulos, e meus destaques são estes:

Redoma Reserva Branco 2009 (Cantu 11 95792805), de vinhas velhas, tem castas como rabigato e viosinho. Traz aroma de flores brancas, mineral e leve mentolado.

Quinta do Vale Meão 2008 (Mistral 11 33723415) traz touriga nacional, touriga franca e outras cepas. Nariz potente, complexo, faz a pisa a pé e fermentação malolática em barrica. Oriundo de vinha fornecedora do mítico Barca Velha.

Quinta do Vallado Reserva Field Blend 2008 (Cantu 11 95792805), vinhas velhas e mescladas. Um gigante, elegante, com aromas leves de fruta, complexidade no nariz e na boca. Taninos suaves e acidez perfeita. Longo e delicado.

Quinta do Crasto Touriga Nacional 2009 (Qualimpor 11 51814492). Produzido só em anos excepcionais. Aroma potente, floral, frutado. Acidez e taninos irrepreensíveis. Na boca, frutas negras e vermelhas. Persistência média.

Niepoort Charme 2007 (Mistral 11 33723415) lembra um borgonha. Com leves tostados, floral, equilíbrio e um ótimo final. Muito gastronômico.

Já os goles do Tejo são muito variados. Podem ser brancos estruturados mas com ótima acidez, rosés quase tintos porém extremamente divertidos, e muitos elogiáveis tintos. Aventuram-se pelos espumantes sem fazer feio, também.

Meus velhos conhecidos Oceanus e Ikon, da Casa Fiuza, (Vinea 11 3059-5200) citados na coluna do ano passado não decepcionaram. Cada um em sua faixa, são excelentes.

A descoberta foram os vinhos da Quinta da Lapa (Azavini 21 22748819). Seu Reserva 2008 venceu o luso Concurso Nacional de Vinhos Engarrafados na edição 2010. Mas meu preferido foi seu Branco Colheita Selecionada 2010, com notas cítricas, estruturado, agradável e persistente.

Outro achado, o Terra Silvestre 2010 Branco, tem um corte de arinto e fernão pires, cor de palha com reflexos esverdeados. Aroma sutil e, na boca, muita maciez e ótimo frescor. Seu irmão Terra Silvestre 2009 Tinto também demonstra enorme personalidade.

Os últimos dois vinhos ainda não são importados para o Brasil. Mas, pela sua qualidade, a espera não deve ser grande.

O Douro, contido em suas margens sólidas e íngremes, ou o Tejo, se espalhando e inundando as planícies transmitem , sem sombra de dúvida, são metáforas das características e da personalidade de seus vinhos. Tamanha variedade só vem reforçar a posição lusa no ranking das importações brasileiras, ultrapassando os vinhos italianos e ficando atrás apenas de argentinos e chilenos.

*publicado originalmente no terra magazine em 30 DE JULHO DE 2011, 08H15

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A Domno do Brasil, empresa do Grupo Famiglia Valduga, apresenta o seu novo parceiro comercial, a portuguesa Enoport. A empresa é formada por sete grandes vinícolas familiares adquiridas cerca de oito anos atrás como: Adegas Camillo Alves S.A; Cavimpor; Dom Teodósio; Caves Velhas; Caves Moura Bastos; Caves Acácio, produzindo vinhos em todas as importantes regiões produtoras deste país.O enólogo chefe da empresa, Osvaldo Amado esteve no Brasil, apresentando em um almoço alguns dos vinhos que devem ser importados.
O Vinhas Altas Vinho Verde Branco DOC 2009 na faixa de R$35 é muito interessante. 10,0% álcool. Um corte das uvas: Arinto, Loureiro e Trajadura (respectivamente 40%, 30% e 30%) Palha claro. Aromas florais com toque de maça e lima. Ótima acidez, corpo magro. Termina suave com algum açúcar residual. Deixa um final de erva cidreira . Bom para aperitivos e pratos da culinária oriental.
Outro vinho apresentado foi o Alma Grande , um Douro Douro Reserva DOC 2007 – 13,5% álcool 100% touriga nacional na faixa dos R$100 que agradou bastante. Tem muita personalidade. Com amadurecimento durante 12 meses em barica nova de carvalho francês. Rubi intenso e profundo com reflexo púrpura. Aromas de geléia de frutas vermelhas secundada por discretos toques florais (violetas). Evoluiu para ameixa madura e chocolate. Na boca se mostrou encorpado e elegante com taninos, fruta, madeira, álcool e acidez bem integrados. Final persistente. Um ótimo exemplar deTouriga Nacional. Curiosidade: tem um contra-rótulo destacável, com informações do nome do vinho, enólogo, casta, grau alcoólico, temperatura de serviço e finalmente o portal do produtor, para o consumidor ter facilidade de “memorizar” e “lembrar” do vinho com facilidade.

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